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Cenas inéditas da violência policial no despejo da Aldeia Maracanã

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Na madrugada de ontem, dia 22 de março, a tropa de choque da polícia militar cercou o prédio da Aldeia Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. O objetivo do gerenciamento Sérgio Cabral era desocupar o antigo Museu do Índio, onde viviam cerca de 50 indigenas de 20 etinias diferentes. A ação é parte do cronograma de obras de restauração do estádio Maracanã para a Copa e as Olimpíadas.

Desde a chegada da polícia o clima foi de tensão, e a todo momento flagrantes de abusos eram registrados pelas câmeras de AND. Confira agora as cenas da violência desproporcional utilizada pela PM contra os índios, seus apoiadores e centenas de manifestantes que protestavam do lado de fora da Aldeia. Bombas de gás, spray de pimenta, tiros de bala de borracha, agressões e prisões arbitrárias foram os ingredientes que marcaram mais uma ação criminosa do Estado contra os povos indígenas.


Reportagem especial: Força Nacional emprega o terror em favela da zona Sul do Rio

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No início de janeiro, a reportagem de AND foi ao morro Santo Amaro, na zona sul do Rio de Janeiro, para apurar uma denúncia veiculada nas redes sociais na internet de que a Força Nacional de Segurança estaria impondo toques de recolher na favela. Os militares ocuparam o Santo Amaro em maio do ano passado com o suposto objetivo de combater o consumo e a venda de crack na região. Contudo, a medida do gerenciamento Dilma se estendeu por oito meses, transformando-se em uma extensão das UPPs — as Unidades de Polícia Pacificadora.

Localizado nas encostas dos morros Nova Sintra e Santa Tereza, o Santo Amaro é dono de uma das mais belas paisagens da cidade. A favela é a única no bairro do Catete, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e que, um dia, já abrigou a sede do governo federal no conhecido Palácio do Catete. Em maio do ano passado, a favela foi ocupada pela Força Nacional depois de um convênio firmado entre o gerenciamento Cabral, o Ministério da Justiça, e as secretarias Nacional de Políticas sobre Drogas e de Segurança Pública. A Força Nacional de segurança é integrada por militares de todo o Brasil e é considerada a seleção dos melhores policiais do país.

O convênio previa a intervenção militar somente para o combate ao crack e, inclusive, a criação de um centro de reabilitação para dependentes químicos no local. No entanto, meses depois, nada foi feito. Dependentes de crack e traficantes varejistas fugiram para outras localidade e milhares de trabalhadores continuaram no morro vivendo suas vidas, agora, com a presença ostensiva da Força Nacional, que segundo denúncias, estaria impondo um regime de exceção à população da favela.

Acompanhada de um representante da associação de moradores, nossa equipe visitou dezenas de bares, onde comerciantes acusaram militares de, todas as noites, levarem a cabo toques de recolher. Com isso, bares, tendinhas e biroscas estariam sendo obrigados a fechar as portas a partir das dez horas da noite. Segundo alguns moradores, as ordens da Força Nacional para interromper festas particulares acontecem a qualquer hora do dia. Além disso, bailes funk estariam proibidos desde a chegada da polícia ao morro Santo Amaro.

Algumas denúncias dão conta de agressões e humilhações contra a população da favela. Dois moradores que conversaram com nossa reportagem contaram os momentos de terror que viveram durante uma revista policial em um dos acessos ao Santo Amaro. As vítimas teriam passado por horas de humilhações, agressões e ameaças e ainda teriam sido presas arbitrariamente. As denúncias eram intermináveis, assim como as lamentações pela dura vida de quem mora nas favelas e bairros pobres militarizados pelo Estado reacionário.


Moradores da Vila Autódromo entregam plano de reurbanização da favela à prefeitura do Rio

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No dia 16 de agosto, moradores da Vila Autódromo, na zona oeste do Rio de Janeiro foram à prefeitura entregar o projeto de reurbanização da favela ao prefeito Eduardo Paes. O projeto foi feito por arquitetos, engenheiros, urbanistas e estudantes para ser uma alternativa à remoção das cerca de 500 famílias que vivem há mais de 40 anos no local. Segundo a secretaria de habitação do município, a remoção faz parte dos planos de construção da Cidade Olímpica onde hoje existe o autódromo de Jacarepagua. Na entrada do prédio da prefeitura, o presidente da associação de moradores da Vila Autódromo, Altair Guimarães, falou um pouco das inúmeras tentativas dos gerenciamentos de turno de remover a favela.

 Altair criticou a inoperância do poder judiciário ao tratar a questão das remoções de favelas para os mega-eventos. O presidente da associação de moradores da Vila Autódromo terminou dizendo que o município do Rio de Janeiro se transformou em uma cidade com espaços somente os ricos.