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Militarização e UPPs

Sobrevivente da rebelião popular do Jacarezinho conta como foi baleado

Por Patrick Granja e Guilherme Chalita / A Nova Democracia

As imagens a seguir, foram gravadas com um telefone celular pelo motoboy Ivan Martins dos Santos Filho, de 33 anos na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.  Ivan registrou as imagens momentos antes de ser acertado por um tiro de pistola, que segundo ele, teria sido disparado por um policial militar. O episódio aconteceu na última quinta-feira, dia 5 de abril, quando PMs da Unidade de Polícia Pacificadora teriam assassinado o jovem trabalhador Aliélson Nogueira, de 21 anos. Em protesto contra a morte de Aliélson, moradores se insurgiram contra as forças de repressão e teriam sido reprimidos com tiros de munição real. Um deles, endereçado a Ivan. Acompanhda do presidente da associação de moradores do Jacarezinho, Rumba Gabriel, nossa equipe de reportagem foi ao hospital Salgado Filho conversar com o motoboy que trabalha em uma das maiores companhias aérea brasileiras. Devido à questões internas do hospital, a entrevista não pode ser filmada.

Ivan contou que, no caminho para o hospital, um outro policial teria sugerido que a viatura desse algumas voltas a mais antes de levá-lo ao posto de emergência. Nesse momento, o rapaz contou que já havia perdido muito sangue. Já no Salgado Filho, o trabalhador teria sido intimidado por PMs que teriam o acusado de envolvimento com o tráfico. Ivan contou ainda que presenciou o momento em que policiais da UPP atiraram contra o container da Unidade. O relato é um indício de que a versão apresentada pela PM, de que havia um tiroteio na favela, pode ter sido forjada pelo comando da UPP em conluio com o monopólio dos meios de comunicação.

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Policiais da UPP atiram para matar na favela do Jacarezinho

Por Patrick Granja e Guilherme Chalita / A Nova Democracia

Na noite da ultima quinta-feira, dia 4 de abril, a equipe de reportagem da AND, juntamente com a Agência de Noticias das Favelas, foi ao Jacaré, na zona norte do Rio, apurar a denúncia de que um jovem teria sido assassinado por policiais da  Unidade de Policia Pacificadora. Segundo testemunhas, Alielson Nogueira, de 21 anos, estaria comendo um cachorro quente, no momento em que foi baleado na nuca. Moradores disseram que, no local, acontecia um protesto contra a prisão arbitraria de um trabalhador. Durante a manifestação, um policial identificado por moradores como “Andre”, teria atirado contra a massa e acertando Alielson.

Quando chegou à favela do Jacaré, nossa equipe se deparou com um cenário de rebelião popular. Centenas de moradores tomaram as ruas da favela e, corajosamente, enfrentaram as tropas de repressão do Estado reacionário. O objetivo dos manifestantes era proteger o corpo do Alielson, para que PMs não modificassem a cena do crime. O confronto só teve fim no momento em que policiais civís chegaram para periciar o local do assassinato. Durante a madrugada, o monopólio dos meios de comunicação noticiava que o jovem trabalhador teria sido baleado em um suposto confronto entre traficantes e policiais, versão negada pela população.


Manguinhos: Jovem é eletrocutado por PMs e população se levanta contra a UPP

Por Patrick Granja e Guilherme Chalita / A Nova Democracia

Na tarde de terça-feira, dia 17 de março, a equipe de AND foi à favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, para apurar a denúncia de que um jovem teria morrido eletrocutado após receber um tiro de pistola taser disparado por um policial da Unidade de Polícia Pacificadora. Desde janeiro desse ano, o complexo de Manguinhos está ocupado por uma UPP. Testemunhas dos últimos momentos de vida do jovem Mateus Oliveira Casé, de 17 anos, conversaram com nossa reportagem e acusaram policiais pela morte doadolescente. Ele teria recebido o disparo e tido uma parada cardíaca.

O carro de polícia parou e disparou o choque nele. Ele caiu de cabeça e os policiais deixaram ele ali mesmo. Os PMs disseram que ele morreu na UPA [Unidade de Pronto Atendimento] mas quando nós levamos ele para o hospital, ele já chegou lá morto. Você acha certo UPP fazer isso? — pergunta uma testemunha ocular do crime.

Familiares da vítima disseram que a avó de Matheus não tinha condições de falar. A tia-avó do jovem chorava sentada em um beco. Outra tia de Matheus, disse que a família irá lutar por justiça.

Eu estava no trabalho, quando a minha filha me ligou me dizendo que ele tinha sido morto pela polícia. E foram eles mesmos que mataram. Não faltam provas disso. Mas como a gente é da favela e, como os policiais mesmo disseram bem alto para todo mundo ouvir, nós não prestamos, somos vagabundas que não temos nem porque sair de casa. Minha mãe não está aqui porque ela não está em condições de falar mais sobre esse assunto. Mas isso não vai ficar assim. Nós vamos lutar por justiça. Meu sobrinho não vai ser só mais uma estatística — diz a tia de Matheus.

Quando chegou à favela, nossa equipe se deparou com um cenário de rebelião. De um lado moradores revoltados pelo assassinato de Matheus. De outro, policiais da UPP, atirando bombas contra a população.

Segundo relatos, no dia anterior, moradores também se levantaram contra a rotina de terror imposta por policiais da UPP, como mostrou a reportagem da TV Record, exibida enquanto nossa equipe estava em Manguinhos. Naquele dia, moradores disseram que a violência policial fez muitas vítimas, entre elas uma criança de quatro meses. Indignada a mãe disse que sua filha quase morreu sufocada pelo spray de pimenta.

Ela estava na cama dela quando os policiais entraram na minha casa e jogaram spray de pimenta. Eles estão achando que isso aqui é casa de bandido, mas isso é casa de trabalhador. Meu marido está no trabalho. Se não fosse a vizinha correr e acudir a criança, ela poderia estar morta agora — protesta a moradora.

Um jovem que aparece sendo espancado por PMs nas imagens da TV Record, ainda foi preso. Depois de solto, o rapaz estava indignado e conversou com nossa reportagem.

A gente vive desde menor aqui e eles acabaram de chegar e acham que podem esculachar a gente. Meu sentimento? Prefiro nem falar. Deixa para lá — diz o rapaz, muito revoltado com a violência que sofreu.

Outra moradora conta que seu salão foi invadido por PMs que atiraram spray de pimenta contra ela e seus clientes.

Eu estava com a minha funcionária na porta vendo a manifestação que os moradores estavam fazendo. Meu afilhado de três anos também estava aqui dentro. Um dos policiais entrou aqui e atirou spray de pimenta na minha cara. Quase fiquei cega. Meu rosto inteiro ardia. Eu preciso da minha vista para trabalhar. Se eu ficar cega, a polícia vai comprar comida para os meus filhos? Eu não quero mais polícia fazendo arruaça dentro do meu estabelecimento. Bandido não fazia isso, polícia vai fazer? Eles não estão trabalhando? Eu também estou. Eles querem respeito, mas não respeitam ninguém. Para ter respeito, tem que respeitar — reclama a comerciante.

Moradores ainda acusaram PMs de interromperem festas violentamente e usarem drogas indiscretamente dentro da favela.

Estava tendo uma festa de criança ali,quando o pai colocou um funk, que não falava palavrão, nome de bandido, nada disso. Os policiais vieram e jogaram uma bomba em cima do bolo. Acabaram com a festa por causa de uma música — conta.

Outro dia eu senti um cheiro de maconha e, quando olhei para dentro do beco, vi quatro policiais fumando — diz.

E quando eles ficam cheirando [cocaína] de madrugada perto do sindicato? — completa outra moradora.

Irmão de um jovem baleado por policiais e preso arbitrariamente, Wanderley conversou com nossa reportagem e disse que ele e seu pai estão sendo ameaçados por policiais. Ambos estão empenhados na libertação imediata do jovem Fernando e, cada vez mais, destacam-se na denúncia das arbitrariedades cometidas pela PM na favela.

Eles já me ameaçaram. Falaram que se me pegarem de madrugada na rua, vão me matar. Falaram que se pegarem meu pai, também vão matar ele. Isso é porque eles sabem que o que nós estamos fazendo pode prejudicar eles — denuncia.

O Sérgio Cabral falou que ia colocar uma polícia preparada que servisse e protegesse. Mas eles não estão protegendo, eles estão oprimindo. Eu vou fazer uma camisa e escrever em letras vermelhas: “Pacificação ou opressão?”. Porque eles só estão oprimindo. Eles balearam o meu irmão e usaram o argumento de que ele tinha passagem pela polícia para manter ele preso, ferido ainda por cima. Ele nem sabe de onde veio o tiro que o acertou e ainda foi colocado na cadeia. E se tivesse acertado uma criança? Qual o argumento que eles iriam usar? — pergunta o jovem Wanderley.


UPP: Tiros, prisões e remoções arbitrárias na favela de Manguinhos

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

A favela de Manguinhos fica no coração da zona norte do Rio de Janeiro e foi militarizada no final de 2012. Meses depois, moradores denunciam que a paz está longe de ser uma realidade na favela. Segundo relatos registrados pela equipe de reportagem de AND, policiais da UPP estariam atacando moradores com armas não-letais e, em algumas ocasiões, etariam usando munição real contra a população. Em uma dessas ocasiões, o jovem Fernando Wanderley da Silva Reis, de 22 anos, teria sido baleado nos dois pés e, ainda, preso por desacato, lesão corporal e dano ao patrimônio público. Nossa reportagem foi à Manguinhos e conversou com o pai de Fernando, o operário da constução civil, Clésio Reis, de 52 anos.

 O pai de Fernando contestou as acusações e disse que ele e sua esposa tiveram que peregrinar por delegacias e hospitais em busca do filho. No hospital Salgado Filho, a surpresa: Fernando estava internado sob custódia e não podia receber visitas.

 Além das prisões e agressões, um grupo de moradores está revoltado com a possível remoção de cerca de 150 moradias às margens da avenida Leopoldo Bulhões. Muitos deles, como o Sr. José Geraldo, de 54 anos, vivem na favela de Manguinhos há mais de 30 anos. O operário Clésio Reis se queixou da rotina de opressão imposta aos moradores de Manguinhos e disse que os pobres não têm voz diante dessa triste realidade.

 Procurado por nossa reportagem, o comando da UPP de Manguinhos não quis responder as acusações.


Reportagem especial: Força Nacional emprega o terror em favela da zona Sul do Rio

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No início de janeiro, a reportagem de AND foi ao morro Santo Amaro, na zona sul do Rio de Janeiro, para apurar uma denúncia veiculada nas redes sociais na internet de que a Força Nacional de Segurança estaria impondo toques de recolher na favela. Os militares ocuparam o Santo Amaro em maio do ano passado com o suposto objetivo de combater o consumo e a venda de crack na região. Contudo, a medida do gerenciamento Dilma se estendeu por oito meses, transformando-se em uma extensão das UPPs — as Unidades de Polícia Pacificadora.

Localizado nas encostas dos morros Nova Sintra e Santa Tereza, o Santo Amaro é dono de uma das mais belas paisagens da cidade. A favela é a única no bairro do Catete, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e que, um dia, já abrigou a sede do governo federal no conhecido Palácio do Catete. Em maio do ano passado, a favela foi ocupada pela Força Nacional depois de um convênio firmado entre o gerenciamento Cabral, o Ministério da Justiça, e as secretarias Nacional de Políticas sobre Drogas e de Segurança Pública. A Força Nacional de segurança é integrada por militares de todo o Brasil e é considerada a seleção dos melhores policiais do país.

O convênio previa a intervenção militar somente para o combate ao crack e, inclusive, a criação de um centro de reabilitação para dependentes químicos no local. No entanto, meses depois, nada foi feito. Dependentes de crack e traficantes varejistas fugiram para outras localidade e milhares de trabalhadores continuaram no morro vivendo suas vidas, agora, com a presença ostensiva da Força Nacional, que segundo denúncias, estaria impondo um regime de exceção à população da favela.

Acompanhada de um representante da associação de moradores, nossa equipe visitou dezenas de bares, onde comerciantes acusaram militares de, todas as noites, levarem a cabo toques de recolher. Com isso, bares, tendinhas e biroscas estariam sendo obrigados a fechar as portas a partir das dez horas da noite. Segundo alguns moradores, as ordens da Força Nacional para interromper festas particulares acontecem a qualquer hora do dia. Além disso, bailes funk estariam proibidos desde a chegada da polícia ao morro Santo Amaro.

Algumas denúncias dão conta de agressões e humilhações contra a população da favela. Dois moradores que conversaram com nossa reportagem contaram os momentos de terror que viveram durante uma revista policial em um dos acessos ao Santo Amaro. As vítimas teriam passado por horas de humilhações, agressões e ameaças e ainda teriam sido presas arbitrariamente. As denúncias eram intermináveis, assim como as lamentações pela dura vida de quem mora nas favelas e bairros pobres militarizados pelo Estado reacionário.


Dois jovens são executados por PMs da UPP no Complexo do Alemão

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Jornal A Nova Democracia — No dia 9 de dezembro, nossa reportagem foi ao Complexo do Alemão, onde dois jovens teriam sido assassinados por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Segundo testemunhas, depois de baleados, os jovens Wallace de Souza, de 21 anos, e Joseph Alexandrino, de 19 anos, foram executados pelos PMs.

A reportagem de AND foi ao local acompanhada da ouvidora de direitos humanos Márcia Honorato. Segundo ela, moradores denunciam que um dos policiais, o sargento Alexandre Antônio Barbosa, teria apelado para que os jovens fossem socorridos. Mas mesmo assim, outro PM, identificado apenas como Da Silva, teria intimidado o sargento e executado os dois rapazes. Horas depois, o PM Alexandre foi executado. De acordo com testemunhas, o carro preto de onde partiram os disparos que atingiram o policial é o mesmo visto por moradores recolhendo os corpos de Wallace e Joseph no Complexo do Alemão.

Momentos depois, um fato curioso confirmou a tese de Márcia e as denúncias da população do Complexo do Alemão. Enquanto entrevistávamos a ouvidora, uma criança entregou a ela uma carta de um morador que preferiu não se identificar. O bilhete confirmava o atrito entre os PMs Da Silva e Alexandre na cena do crime.

Nossa reportagem também conversou com a mãe de Wallace. Temendo represálias da PM, ela preferiu não mostrar o rosto. Sob efeito de remédios psiquiátricos, ela contou como ficou sabendo da morte do filho.


Quatro presos arbitrariamente por PMs da UPP do morro do Tuiuti

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No dia 16 de outubro, quatro homens foram presos arbitrariamente por PMs da UPP do morro do Tuiuti — zona norte do Rio — que faziam uma operação no local. Segundo relatos de parentes das vítimas, PMs encontraram uma grande quantidade de drogas a poucos metros do local da prisão. Em seguida, os quatro homens sofreram tortura psicológica dos policiais, que exigiam o paradeiro dos traficantes que esconderam as drogas embaixo de uma caixa d’água. Assustadas, as vítimas ficaram em silêncio e acabaram presas pelos PMs, que conduziram os quatro homens para delagacia. Todos foram autuados por tráfico de drogas e formação de quadrilha.

Foram presos o músico da banda Original Raiz e artesão Luiz Cláudio Cardoso, 48 anos; o gráfico Bruno Matheus Pereira Rocha, 26 anos; o produtor cultural Márcio Antônio Farias, de 45 anos; e o esudante Felipe Cunha Alves, de 18 anos. Todos foram encaminhados para a Polinter e, em seguida, para um dos presídios de triagem da penitenciária de Bangú. A reportagem de AND foi ao morro do Tuiti conversar com familiares de algumas das vítimas da PM. A cobertura completa do caso está no video a seguir.

Abaixo assinado pela libertação dos presos:
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N31318