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Greves

UERJ em greve toma as ruas do Rio em combativa manifestação

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Na tarde do dia 23 de agosto, estudantes, professores e funcionários da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, fizeram uma combativa manifestação no entorno do Campus no bairro do Maracanã, zona norte da cidade. Em greve há dois meses, os maniestantes bloquearam uma das principais avenidas da zona norte do Rio. Durante inúmeros momentos, policiais militares tentaram reprimir a manifestação, mas estudantes da UERJ não se intimidaram e enfrentaram a repressão. Pneus foram queimados pelos manifestantes para bloquear a rua. A todo momento, o helicóptero da PM observava o ato.

 Dentro da universidade, mais repressão. PMs da tropa de choque invadiram a UERJ atirando bombas contra um grupo de estudantes, professores e funcionários. Os manifestantes permaneceram durante uma hora a poucos metros da tropa de choque.  Somente a noite, a polícia deixou o local sob as vaias da multidão. Em seguida, nossa equipe de reportagem conversou com funcionários, estudantes e professores revoltados com a repressão policial. Veja tudo no video a seguir.


JIRAU: O conflito continua

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

A greve dos trabalhadores da Usina de JIRAU, em Porto Velho, acabou no dia 2 de abril. Apesar da propaganda da volta a normalidade na usina, nossa reportagem verificou in loco que a situação não é tão pacífica quanto o monopólio dos meios de comunicação e a empresa tentam mostar. Mais de dois mil trabalhadores deixaram a obra no último mês. Muitos deles foram demitidos, mas uma grande parte não suportou as condições de trabalho na usina e decidiu voltar para casa. A situação é bastante complicada para os operários que saíram de diversas partes do país iludidos com as promessas de salário na Usina de JIRAU.

Com o fim da greve, a polícia de Rondonia empreendeu uma verdadeira caçada a um grupo de trabalhadores. Mesmo sem provas, eles foram acusados pelo ministério público de atearem fogo aos alojamentos. O incêndio ocorreu no dia dois de abril, após o fim da greve. Eles estão presos no presídio urso panda, em porto velho. Segundo o advogado dos operários eles estão sofrendo maus-tratos. Até agora não foram apresentadas provas de que os operários presos estariam implicados no ato.

A greve, que ocorre pela segunda vez, foi iniciada em março de 2011.  Os trabalhadores reivindicavam melhores condicoes de trabalho, salários e assistencia ao trabalhador. Durante a greve, vários trabalhadores se mostraram descontentes com a atuação do sindicato da categoria, o Sticcero. O sindicato pediu várias vezes ao trabalhador que atendesse ao apelo das empresas e retornasse aos trabalho.

Com o fim da greve, algumas vitórias foram conquistadas, mas ainda restam várias reivindicações, como a saída da polícia da obra e melhorias no plano de saúde. Nos últimos dias, os trabalhadores que fizeram parte da comissao de negociação estavam sendo ameçados de não poderem voltar ao trabalho. Durante a permanencia da nossa reportagem em Porto Velho, alguns elementos da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, tentaram intimidar nossa equipe numa reuniao de negociação entre os trabalhadores e a empresa.


JIRAU: Justiça e sindicato atacam trabalhadores


Por Patrick Granja / A Nova Democracia

A Justiça do Trabalho de Rondônia condenou, no último dia 03, as empresas WPG Construções e Empreendimentos Ltda e TPC Construções e Terraplanagem Ltda, e de forma subsidiária o consórcio construtor da Usina de Jirau “Energia Sustentável do Brasil”, a pagar aos trabalhadores os salários atrasados, as verbas rescisórias, assinatura da carteira de trabalho e pagamento do custeio com alojamento e três refeições diárias, durante o período que os trabalhadores estiverem aguardando o recebimento dos salários atrasados e verbas rescisórias. Além do reembolso ao Sindicato de todos os valores gastos em alojamento, alimentação e na concessão das passagens para que os trabalhadores regressassem as suas casas.

AND acompanhou de perto a luta dos trabalhadores da WPG e TPC, que foram abandonados pelas empresas e tiveram que enfrentar o peleguismo do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), que insistia em fazer o papel da empresa, solicitando via ação judicial o pagamento somente dos dias trabalhados, não reconhecendo o prejuízo material sofrido pelos trabalhadores desde o desaparecimento dos responsáveis pela empresa, em novembro do ano passado.

O juiz condenou as empresas a pagar os salários atrasados até 07/11/2011, concordando, portanto com a tese do Sticcero e rejeitando a tese do Ministério Público do Trabalho, que argumentava que devido à continuidade do vínculo com a empresa, os trabalhadores deveriam receber até o dia da baixa na carteira de trabalho. Os trabalhadores concordavam com a tese do MPT, preferindo inclusive que o este o defendesse, ao invés do sindicato. Eles alegam que foram prejudicados com o resultado do processo.

Atualmente, a maioria dos trabalhadores já retornou às cidades e estados de origem. Segundo um trabalhador ouvido por nossa reportagem, eles foram contactados pelo MPT e pela Justiça Federal, que já possuem todos os dados bancários e de contatos de todos os trabalhadores. Mas ainda será necessário esperar pela manifestação das empresas e pelo cumprimento da sentença.

A desconfiança dos trabalhadores é grande, já que não podem confiar no Sindicato. Na sentença, ficou claro o conflito entre trabalhadores, MTP e Sticcero, sendo que este último chegou a acusar o MPT de colocar os trabalhadores contra o sindicato. No dia 27 de abril, logo após o fim da audiência, o sindicato cancelou o alojamento e a alimentação dos trabalhadores. O sindicato alega que a situação já foi resolvida e que os trabalhadores receberam passagens para voltar para casa. Mas uma comissão decidiu continuar em Porto Velho e seguir lutando pelo reconhecimento de todos os seus direitos.

 


2011: Greves e despejos no rastro da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil

Por Patrick Granja / Especial para o jornal A Nova Democracia, edição 85

Ano passado, a notícia da escolha do Brasil como país sede das olimpíadas de 2016 foi recebida com euforia por milhares de pessoas na praia de Copacabana. Já em 2011, passada a ilusão, começa a ficar claro para as massas empobrecidas a que serve o circo dos mega-eventos. Construtoras milionárias tornaram-se bilionárias embolsando dinheiro público para reformar e construir estádios e executar obras de grande porte; exigências da Fifa e do Comitê Olimpíco Internacional. Com isso, favelas e bairros pobres inteiros foram despejados das áreas nobres do país para regiões remotas. Tudo minuciosamente maquiado pelo monopólio dos meios de comunicação — grande arrendatário dos lucros desse circo — e a propaganda institucional, que insiste em dizer: ‘a responsabilidade é de todos nós’.

Apesar de toda a opressão — com remoções de favelas, despejos forçados de ocupações e repressão violenta aos movimentos sociais —, o ano de 2011 também foi um período de luta ferrenha para os operários da construção civil em todo o país. Responsáveis por erguer toda a estrutura do circo dos megaeventos, operários cruzaram os braços em vários estados, cansados do arrocho imposto pelos consórcios que administram as obras.

Greves Brasil afora

No Rio de Janeiro, operários que trabalham na reforma do Maracanã cruzaram os braços em duas ocasiões. Na primeira vez, a paralisação começou depois que a explosão de um tonél de combustível feriu um operário. Na segunda ocasião, trabalhadores cruzaram os braços depois que o consórcio serviu comida estragada aos operários do turno da noite. Dessa vez, a greve se estendeu por três semanas. Depois de uma longa queda de braço entre os trabalhadores e o bilonário consórcio — que reúne as empresas Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez — o Tribunal Regional do Trabalho, TRT, decidiu a favor dos patrões e decretou a greve ilegal, mostrando a quem serve a justiça desse Estado apodrecido. As únicas conquistas dos operários em sua jornada de lutas foram o plano de saúde individual e um aumento de 100 para 180 reais no vale alimentação, que continua defasado se comparado ao valor pago aos operários de outros estados.

No estádio Mineirão, em Belo Horizonte, operários já cruzaram os braços em três ocasiões em 2011, exigindo, entre outras questões, equiparação salarial com os trabalhadores da construção de São Paulo e extensão do plano de saúde aos familiares. A última paralisação aconteceu no dia 16 de setembro, quando Dilma Roussef esteve em Belo Horizonte para participar de uma festa marcando o início da contagem regressiva de mil dias para a copa do mundo. Professores em greve, na ocasião, se uniram aos operários para repudiar a presença da gerente de turno.

Já em Salvador, operários que trabalham nas obras de reforma do estádio Fonte Nova tiveram conquistas significativas em sua greve nos meses de agosto e setembro. A principal delas foi um abono de 180 reais, pago em quatro parcelas.

Em Brasília, 2,3 mil trabalhadores das obras do estádio Mané Garrincha também cruzaram os braços em outubro exigindo aumento salarial, pagamento imediato de 20 horas-prêmio prometidas pelo consórcio três meses antes da greve, aumento do percentual pago sobre horas extras e bonificação por produtividade. A greve acabou depois de dez dias e o consórcio que administra a obra — orçada em 745 milhões de reais — aceitou pagar aos trabalhadores apenas um abono equivalente a 30% do salário e auxílio-alimentação.

Em Recife, 1,6 mil operários da obra da Arena Pernambuco cruzaram os braços em novembro alegando maus tratos, assédio moral e contestando a demissão de dois membros da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), um carpinteiro e um ajudante. No dia 3 de novembro, PMs impediram a realização de uma assembléia geral dos trabalhadores. Os políciais exigiram a retirada do carro de som do local, mas os operários não aceitaram e reagiram. PMs atacaram os trabalhadores a golpes de cacetete e um operário foi preso. A greve acabou depois que o TRT decretou o movimento ilegal.

No Rio Grande do Sul, operários que trabalham na construção da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, se revoltaram no início de outubro depois que um operário foi atropelado no percurso entre o canteiro de obras e o alojamento e morreu no local. Os trabalhadores bloquearam a BR-290 durante o fim da tarde e a noite e entraram em confronto com a polícia.

Remoções forçadas

Além do arrocho aos operários que trabalham nas obras, outro aspecto marcante nos preparativos para os megaeventos são os despejos e remoções forçadas que antecedem essas grandes construções. A reurbanização das grandes cidades do Brasil e seu impacto avassalador na vida do povo pobre têm sido alvo de críticas de urbanistas por todo o país.

Estamos frente a um novo pacto territorial, redefinido por antigas lideranças paroquiais, sustentadas por frações do capital imobiliário e financeiro, e amparadas pela burocracia do Estado — disse Orlando dos Santos Junior, mestre e doutor em Planejamento Urbano da UFRJ.

Existe um controle do espaço público para atender aos patrocinadores, que querem o espaço das cidades, e não apenas do estádio. Qual poderia ser o legado humano desses eventos? — pergunta a mestre em arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Nelma Oliveira.

Mesmo com todas as críticas, para os arrendatários desse circo, as obras não podem parar e as remoções seguem acontecendo por todo o país. No Rio de Janeiro, as obras de construção de cerca de 100 quilômetros de vias — os corredores expressos de ônibus, mais conhecidos como BRTs — a um custo de R$ 4,2 bilhões, prevêem a remoção de, pelo menos, 5 mil famílias em 13 bairros. Segundo o próprio secretaria municipal de habitação, Jorge Bittar, do PT, de janeiro de 2009 a agosto de 2011, aproximadamente 13 mil famílias foram removidas de seus locais de origem no Rio de Janeiro.

Massacrar uma comunidade por conta de uns jogos de 27 dias eu acho uma injustiça muito grande — protesta Altair Guimarães, presidente da associação de moradores da Vila Autódromo, uma das favelas ameçadas de remoção no Rio.

O panôrama geral das remoções em todo o Brasil no ano de 2011 não foi diferente do Rio de Janeiro.

Segundo dados da relatoria das nações unidas pelo direito à moradia adequada, em Belo Horizonte, Minas Gerais, 4,5 mil famílias estão sendo removidas. As principais favelas afetadas são: Dandara (900 famílias), Camilo Torres (140 famílias), Irmã Dorothy (130 famílias), Torres Gêmeas (180 famílias), e o entorno do Anel Rodoviário (3 mil famílias).

Em Fortaleza, Ceará, mais de 3,5 mil famílias estão sendo removidas em função das obras de ampliação da Via Expressa e da construção do Ramal Parangaba/Mucuripe do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Em Curitiba, Paraná, 250 famílias estão sendo removidas para a ampliação do Aeroporto Internacional Afonso Pena. As favelas afetadas são Jardim Suissa, Vila Quisissana, Nova Costeira, Costeirinha, Vila Fontes, Rio Pequeno e Bairro Jurema.

No município de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, 345 famílias estão ameaçadas de remoção para a construção do novo aeroporto internacional. A maioria das famílias vivem na comunidade Padre João Maria.

Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 4,5 mil famílias estão ameaçadas de remoção em decorrência das obras de ampliação do Aeroporto Salgado Filho e de duplicação da Avenida Tronco. No total, organizações de defesa dos direitos do povo estimam que 10 mil famílias podem ser removidas nos município de Porto Alegre e Canoas até 2014.

Em São Paulo, estima-se que serão desalojadas mais de 50 mil famílias até os mega-eventos. Cerca de 24 favelas estão ameaçadas até agora. As remoções fazem parte do cronograma de obras da Operação Urbana Água Espraiada — que já removeu 10 mil famílias —, Operação Urbana Água Branca, revitalização da área da Luz, conhecida como Projeto Nova Luz, e a reurbanização do Parque Dom Pedro e da região do Pátio Pari.

Vila Autódromo resiste aos tratores da prefeitura

A favela Vila Autódromo é um tradicional polo de luta contra as remoções de bairros pobres no Rio de Janeiro. Isso porquê, desde 2005, a prefeitura do Rio, por diferentes motivos, planeja, sem sucesso, remover os moradores do local. Localizada na zona oeste do Rio, a favela tem esse nome porque é vizinha do autódromo de Jacarepaguá e, além disso, está posicionada em meio a um complexo de arenas que abrigaram os jogos panamericanos em 2007. Em 2011, mais uma vez, o gerente estadual Eduardo Paes, mostrou suas garras à Vila Autódromo e disse que, dessa vez, os moradores vão ser removidos do local, custe o que custar. A remoção teria o objetivo de abrir espaço para a construção de um parque olímpico para as olimpíadas de 2016, mas os moradores, muito bem organizados, dizem que vão resistir.

O projeto do parque olímpico será feito através de uma parceiria público-privado e, em seu edital, prevê que 75% dos 1,2 milhão de metros quadrados sejam entregues a iniciativa privada logo após os Jogos Olímpicos, para a construção de condomínios residenciais, comerciais e hotéis.

Aos moradores, em troca de suas moradias, a prefeitura oferece apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida a quilômetros de distância da Vila Autódromo, ou o famigerado aluguel social. Ambas as propostas já foram recusadas pelos moradores que prometem resistir até que a última casa seja demolida.

Nós adoramos viver aqui. A gente sai pra ir ali na tendinha, deixa a casa aberta e, quando a gente volta, está tudo do mesmo jeito. Esses lugares pra onde eles querem levar a gente, muito mau, a gente vai poder ficar no portão. Aqui é bom demais pra morar. Eu moro aqui desde 1987 e tenho o título de posse que o Brizola nos deu. Todo ano vem o IPTU pra pagar. Meus netos cresceram aqui, brinacando na rua, entram e saem da favela e nunca aconteceu nada. Aqui não tem tráfico, milícia, nada disso. É uma paz só. Nós aqui somos uma família. Um ajuda o outro. Nós moradores somos muito unidos, mas infelizmente a prefeitura está fazendo isso conosco — lamenta a moradora Osmarina Fernandes.

Logo após o anúncio da remoção, o monopólio dos meios de comunicação iniciou seus trabalhos visando criminalizar os moradores da Vila Autódromo e dar razão à prefeitura em sua antiga empreitada para retirar a favela do local. No dia 4 de outubro, o jornal O Globo publicou uma matéria acusando moradores de roubar as pessoas que esperavam na fila para adentrar a cidade do rock — vizinha à Vila Autódromo —, durante a realização do evento Rock in Rio. Dois dias depois, após o final do evento, o mesmo jornal divulgou uma reportagem de página inteira mostrando maquetes do parque olímpico e insinuando que a resistência dos moradores da Vila Autódromo era um obstáculo à realização das olimpíadas no Brasil.


Bombeiros do Rio fazem ato em repúdio à nova onda de prisões de lideranças do movimento

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Desde a última segunda-feira, dia 10 de outubro, quatro bombeiros do Rio de Janeiro estão presos por determinação do comando geral da corporação. Eles foram acusados de participar de um ato, no Clube dos Portuários, no último dia 30, quando fizeram discursos para parlamentares. Os bombeiros do estado do Rio estão em campanha salárial desde o início de abril. No mais combativo episódio durante a greve da categoria, cerca de dois mil bombeiros ocuparam o quartel central da corporação e foram atacados pelo Batalhão de Operações Especiais. 439 bombeiros foram presos. Hoje, a maioria deles já foi solta e anistiada, mas as lideranças do movimento voltaram para a prisão repetidas vezes. Uma dessas líderanças é o cabo Benevenuto Daciolo, que encotra-se preso no quartél G-Mar de Botafogo. Na última quinta-feira, dia 13 de outubro, bombeiros fizeram um protesto no local em repúdio à prisão das quatro lideranças. Daciolo chegou a acenar de uma janela para os manifestantes.

Entre os manifestantes também havia bombeiros de outras cidades. Em Cabo Frio, segundo um representante local, bombeiros estão aquartelados em repúdio às prisões das lideranças do movimento.


Protesto marca a segunda semana da greve operária nas obras de reforma do Maracanã

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

 Na última terça-feira, dia 13 de setembro, operários da obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, fizeram uma passeata no entorno do estádio para marcar os 11 dias de greve por melhores salários e condições de trabalho. Até agora, o consórcio que administra a obra não procurou o sindicato que representa a categoria para negociar. Amanhã, a paralisação será julgada pela justiça do trabalho, que pode decretar a greve ilegal e multar o sindicato por dia em que a obra estiver parada. Os trabalhadores cruzaram os braços depois que o consórcio, além de não cumprir os acordos fixados na última greve, serviu comida estragada aos operários no turno da noite. Entre os sindicalistas presentes na manifestação, estava um representante do Marreta, o sindicato da construção de Belo Horizonte, dirigido pela Liga Operária.

 Na manhã de hoje, operários da obra de reforma do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, também cruzaram os braços. O motivo da paralisação foi o mesmo dos operários do Maracanã. Patrões do consórcio Minas Arena não teriam cumprido os acordos fixados na paralisção de junho, quando operários cruzaram os braços por 4 dias. Segundo os sindicatos que representam a categoria, tanto no Rio, quanto em Minas Gerais, até que os patrões tratem os trabalhadores com dignadade as greves vão seguir com força total.


Greve dos operários da obra de reforma do Maracanã continua com força total

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

A greve dos operários da obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, continua com força total. Como A Nova Democracia divulgou na semana passada, a paralisação começou depois que o consórcio que administra a obra, além de não cumprir os acordos fixados na última greve, serviu comida estragada aos trabalhadores no turno da noite. A revolta tomou conta dos operários que decidiram cruzar os braços até que todas as suas reivindicações sejam cumpridas. Nossa reportagem marcou presença em todas as assembléias realizadas até agora e está acompanhando de perto a luta da categoria. Na manhã de hoje, dia 6 de setembro, os operários decidiram continuar em greve depois que o consórcio se negou a negociar com a comissão que representa os trabalhadores. Eles exigem auxílio-alimentação no valor de 300 reais, plano de saúde familiar e condições dignas de trabalho e alimentação nos canteiros de obra.