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Crimes contra o povo

Cenas inéditas da violência policial no despejo da Aldeia Maracanã

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Na madrugada de ontem, dia 22 de março, a tropa de choque da polícia militar cercou o prédio da Aldeia Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. O objetivo do gerenciamento Sérgio Cabral era desocupar o antigo Museu do Índio, onde viviam cerca de 50 indigenas de 20 etinias diferentes. A ação é parte do cronograma de obras de restauração do estádio Maracanã para a Copa e as Olimpíadas.

Desde a chegada da polícia o clima foi de tensão, e a todo momento flagrantes de abusos eram registrados pelas câmeras de AND. Confira agora as cenas da violência desproporcional utilizada pela PM contra os índios, seus apoiadores e centenas de manifestantes que protestavam do lado de fora da Aldeia. Bombas de gás, spray de pimenta, tiros de bala de borracha, agressões e prisões arbitrárias foram os ingredientes que marcaram mais uma ação criminosa do Estado contra os povos indígenas.


Cresce a resistência à remoção no Complexo do Borel

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

O Complexo do Borel, é um conjunto de favelas localizado na zona norte do Rio de Janeiro, aos pés da maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca. Desde outubro de 2010, a favela está ocupada por uma Unidade de Polícia Pacificadora. Depois da instalação da UPP, moradores da favela Indiana, às margens da Rua São Miguel, receberam a notícia de que teriam que deixar as suas casas, pois segundo a prefeitura, aquela seria uma área de risco. Um grupo de moradores, que vive às margens do Rio Maracanã, quer deixar o local e aceitou os apartamentos oferecidos pela prefeitura no bairro de Triagem. Contudo, o grupo segue vivendo à beira do Rio, devido a um impasse no processo de reassentamento.

Enquanto isso, alguns moradores dizem que está havendo uma generalização por parte da prefeitura e que grande parte da favela Indiana não está em área de risco. Procurada por nossa reportagem, a secretaria de habitação, através de um e-mail, afirmou que existe um acordo com os moradores para que nehuma das partes seja prejudicada. Entretanto, segundo o presidente da associação de moradores da favela Indiana, as negociações estão longe de um consenso entre a prefeitura, os que querem sair e os que não querem deixar o local.

Favela Indiana, no Complexo do Borel, na mira dos tratores do gerenciamento Eduardo Paes

Chicão, como é conhecido o presidente da associação, levou nossa equipe de reportagem a um estacionamento de quase 10 mil metros quadrados ao lado da favela. Em seguida, o líder comunitário nos mostrou um projeto feito pelos moradores de um conjunto habitacional que poderia ser construído no local. Entretanto, segundo Chicão, a prefeitura rejeitou o projeto. Com ares de preocupação, o presidente diz que chegou ao Complexo do Borel ainda criança e que não gostaria de deixar a favela.

Outra moradora da Indiana, Ana Cristina é vendedora autônoma e tem a maioria de suas clientes no Complexo do Borel. Ela diz que os moradores que não querem sair têm sofrido intimidações da prefeitura. Ela conta também que, no mesmo local onde mora, a prefeitura construiu uma escola, conhecida como Brizolão, e uma creche. Tudo sobre o mesmo local, hoje, chamado de área de risco pelo gerenciamento Eduardo Paes. O barraqueiro de praia Chicão diz que abrir mão de viver na Indiana é abrir mão de toda uma história.


UPP: Tiros, prisões e remoções arbitrárias na favela de Manguinhos

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

A favela de Manguinhos fica no coração da zona norte do Rio de Janeiro e foi militarizada no final de 2012. Meses depois, moradores denunciam que a paz está longe de ser uma realidade na favela. Segundo relatos registrados pela equipe de reportagem de AND, policiais da UPP estariam atacando moradores com armas não-letais e, em algumas ocasiões, etariam usando munição real contra a população. Em uma dessas ocasiões, o jovem Fernando Wanderley da Silva Reis, de 22 anos, teria sido baleado nos dois pés e, ainda, preso por desacato, lesão corporal e dano ao patrimônio público. Nossa reportagem foi à Manguinhos e conversou com o pai de Fernando, o operário da constução civil, Clésio Reis, de 52 anos.

 O pai de Fernando contestou as acusações e disse que ele e sua esposa tiveram que peregrinar por delegacias e hospitais em busca do filho. No hospital Salgado Filho, a surpresa: Fernando estava internado sob custódia e não podia receber visitas.

 Além das prisões e agressões, um grupo de moradores está revoltado com a possível remoção de cerca de 150 moradias às margens da avenida Leopoldo Bulhões. Muitos deles, como o Sr. José Geraldo, de 54 anos, vivem na favela de Manguinhos há mais de 30 anos. O operário Clésio Reis se queixou da rotina de opressão imposta aos moradores de Manguinhos e disse que os pobres não têm voz diante dessa triste realidade.

 Procurado por nossa reportagem, o comando da UPP de Manguinhos não quis responder as acusações.


Reportagem especial: Força Nacional emprega o terror em favela da zona Sul do Rio

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No início de janeiro, a reportagem de AND foi ao morro Santo Amaro, na zona sul do Rio de Janeiro, para apurar uma denúncia veiculada nas redes sociais na internet de que a Força Nacional de Segurança estaria impondo toques de recolher na favela. Os militares ocuparam o Santo Amaro em maio do ano passado com o suposto objetivo de combater o consumo e a venda de crack na região. Contudo, a medida do gerenciamento Dilma se estendeu por oito meses, transformando-se em uma extensão das UPPs — as Unidades de Polícia Pacificadora.

Localizado nas encostas dos morros Nova Sintra e Santa Tereza, o Santo Amaro é dono de uma das mais belas paisagens da cidade. A favela é a única no bairro do Catete, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e que, um dia, já abrigou a sede do governo federal no conhecido Palácio do Catete. Em maio do ano passado, a favela foi ocupada pela Força Nacional depois de um convênio firmado entre o gerenciamento Cabral, o Ministério da Justiça, e as secretarias Nacional de Políticas sobre Drogas e de Segurança Pública. A Força Nacional de segurança é integrada por militares de todo o Brasil e é considerada a seleção dos melhores policiais do país.

O convênio previa a intervenção militar somente para o combate ao crack e, inclusive, a criação de um centro de reabilitação para dependentes químicos no local. No entanto, meses depois, nada foi feito. Dependentes de crack e traficantes varejistas fugiram para outras localidade e milhares de trabalhadores continuaram no morro vivendo suas vidas, agora, com a presença ostensiva da Força Nacional, que segundo denúncias, estaria impondo um regime de exceção à população da favela.

Acompanhada de um representante da associação de moradores, nossa equipe visitou dezenas de bares, onde comerciantes acusaram militares de, todas as noites, levarem a cabo toques de recolher. Com isso, bares, tendinhas e biroscas estariam sendo obrigados a fechar as portas a partir das dez horas da noite. Segundo alguns moradores, as ordens da Força Nacional para interromper festas particulares acontecem a qualquer hora do dia. Além disso, bailes funk estariam proibidos desde a chegada da polícia ao morro Santo Amaro.

Algumas denúncias dão conta de agressões e humilhações contra a população da favela. Dois moradores que conversaram com nossa reportagem contaram os momentos de terror que viveram durante uma revista policial em um dos acessos ao Santo Amaro. As vítimas teriam passado por horas de humilhações, agressões e ameaças e ainda teriam sido presas arbitrariamente. As denúncias eram intermináveis, assim como as lamentações pela dura vida de quem mora nas favelas e bairros pobres militarizados pelo Estado reacionário.


Chuvas no Rio: Moradores de Xerém continuam abandonados após tragédia


Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No início de janeiro, o distrito de Xerém, no município de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio ficou debaixo d’água depois que uma forte chuva que atingiu o local. A passagem de uma tromba d’água pelo Rio Capivari — que corta o distrito — fez com que centenas de casas fossem arrastadas pela lama, deixando três mortos e cinco mil desabrigados. Nossa reportagem esteve no local e conversou com as vítimas desse novo crime premeditado que muitos insistem em chamar de catástrofe natural.

Depois de perderem tudo que tinham, os moradores de Xerém agora sofrem com o abandono das autoridades locais e do gerenciamento Cabral. Semanas depois do desastre, muitas pessoas ainda estão desamparadas. Para os que tiveram a iniciativa de procurar as autoridades, ainda resta passar pelos obstáculos da burocracia e das filas intermináveis.

Algumas vítimas da tragédia conversaram com nossa equipe e se mostraram desconfiadas sobre uma possível ajuda do Estado. Muitos de nossos entrevistados explicaram a desconfiança citando as tragédias por conta das chuvas no morro do Bumba, em Niterói, em 2010 e na Região Serrana, em 2011. Nesses lugares, até hoje, muitas pessoas continuam desamparadas.


Salve o Patrimônio Material e Imaterial da Humanidade, salve a Aldeia Maracanã

 

Esse video é uma iniciativa Popular que visa o recolhimento de assinaturas em apoio ao Centro Cultural Indigena da Aldeia Maracanã, no Antigo Museu do Indio, à Rua Mata Machado 126 – Maracanã – RJ . O motivo é: o Governo do Estado não reconhecer a posse do território, local sagrado dos povos indígenas. O Governo do RJ tem como intenção nefasta em demolir o edifício histórico. O antigo casarão reconhecido UNESCO encontra-se em total abandono pelo Governo Federal. Notícias que vêm sendo vinculadas na imprensa o Governo do Estado está em negociação com a União para a utilização desse espaço para um atalho ao estádio. SERÁ QUE ISTO É JUSTO?!!! Neste local, indígenas de várias etnias vêm difundindo sua cultura há seis anos e em escolas particulares e públicas, exercendo direito garantido pela lei. Defendemos a criação de um centro de referência da cultura indígena. Pedimos o apoio e Todos. Assine a petição pública:

http://www.avaaz.org/po/petition/Salve_o_Patrimonio_Material_e_Imaterial_da_H…

FALE MAIS ALTO – Mande emails para esses contatos:
http://www.eduardopaes.com.br/fale-conosco/
http://www.sergiocabral.com.br/contato/
http://www.fifa.com/contact/form.html

With this video we are collecting signatures in support of the preservation of Aldeia Maracanã in Rio de Janeiro, Brazil. The residents here represent various indigenous ethnicities from across the country, maintaining this sacred space as a living Indigenous Museum where we share our songs, rituals, stories, cuisine and other cultural practices with an open door policy — all are welcome to come visit us and learn more about our diverse cultures. Despite our legal entitlement to the space granted to us as an indigenous patrimony, the government is seeking to undo the existing legal protections, paving the way for the destruction of Aldeia Maracanã for World Cup related commercial development. The historic building is recognized by UNESCO but has been abandoned and allowed to fall into disrepair in order to legitimize its demolition. We are asking the government to retrofit the historic building instead, so that we may continue our important work in this space and welcome the world to Rio in 2014 and 2016 when the World Cup and Olympics will take place in the adjacent Maracanã stadium. Indigenous peoples from across Brazil are travelling to Rio to join in our struggle which is now reaching a climax with our potential eviction imminent — please support our struggle and sign our online petition:

http://www.avaaz.org/po/petition/Salve_o_Patrimonio_Material_e_Imaterial_da_H…

SPEAK UP – CONTACT:
http://www.eduardopaes.com.br/fale-conosco/
http://www.sergiocabral.com.br/contato/
http://www.fifa.com/contact/form.html

MAIS INFORMAÇÕES / MORE INFO:
http://aldeiamaracanarj.wix.com/aldeia-maracana


Dois jovens são executados por PMs da UPP no Complexo do Alemão

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Jornal A Nova Democracia — No dia 9 de dezembro, nossa reportagem foi ao Complexo do Alemão, onde dois jovens teriam sido assassinados por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Segundo testemunhas, depois de baleados, os jovens Wallace de Souza, de 21 anos, e Joseph Alexandrino, de 19 anos, foram executados pelos PMs.

A reportagem de AND foi ao local acompanhada da ouvidora de direitos humanos Márcia Honorato. Segundo ela, moradores denunciam que um dos policiais, o sargento Alexandre Antônio Barbosa, teria apelado para que os jovens fossem socorridos. Mas mesmo assim, outro PM, identificado apenas como Da Silva, teria intimidado o sargento e executado os dois rapazes. Horas depois, o PM Alexandre foi executado. De acordo com testemunhas, o carro preto de onde partiram os disparos que atingiram o policial é o mesmo visto por moradores recolhendo os corpos de Wallace e Joseph no Complexo do Alemão.

Momentos depois, um fato curioso confirmou a tese de Márcia e as denúncias da população do Complexo do Alemão. Enquanto entrevistávamos a ouvidora, uma criança entregou a ela uma carta de um morador que preferiu não se identificar. O bilhete confirmava o atrito entre os PMs Da Silva e Alexandre na cena do crime.

Nossa reportagem também conversou com a mãe de Wallace. Temendo represálias da PM, ela preferiu não mostrar o rosto. Sob efeito de remédios psiquiátricos, ela contou como ficou sabendo da morte do filho.