Apóie a imprensa democrática e popular

Protesto repudia os crimes do Estado no rastro da Copa e das Olimpíadas no Brasil

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

No dia 29 de julho, durante o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, uma manifestação organizada pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas percorreu as ruas da cidade até a Marina da Glória, onde acontecia o evento. Participaram do ato vítimas das criminosas remoções de favelas e bairros pobres levadas a cabo pela prefeitura, sem-tetos, além de professores da rede estadual em greve e vários outros setores dos movimentos sociais. Indignados com os impactos avassaladores dos mega-eventos nas vidas do povo, os manifestantes percorreram as ruas da Zona Sul da cidade até o local do sorteio, que custou nada mais nada menos que 30 milhões de reais aos cofres públicos.

A Copa e as Olimpíadas no Brasil estão chegando, e quanto mais o tempo passa, mais a vida do povo pobre que vive nas regiões nobres da cidade é arruinada pelo Estado. Os gastos com os mega-eventos são bilionários, enquanto professores, bombeiros e outros funcionários públicos passam meses em greve tentando um complemento em seus salários miseráveis. Somente a reforma do Maracanã custará aos cofres do Estado 956,8 milhões de reais. Ao passo em que o piso salarial dos professores da rede estadual não ultrapassa a faixa de 800 reais.

Esse foi o foco do ato promovido por vários setores dos movimentos sociais no dia do sorteio dos grupos das eliminatórias para a Copa de 2014. Cada organização ou líder comunitário tinha o seu justo motivo para questionar os mega-eventos.

— O dinheiro é do povo e o povo é quem tem que decidir o que tem que ser feito com ele. Eles não podem fazer o que querem com o nosso dinheiro. O povo não é bobo. Queremos resposta — disse a presidente da associação de moradores da favela Estradinha 1014, Maria de Fátima. Desde o ano passado, a Estradinha, na Zona Sul do Rio, é um dos principais alvos dos tratores da prefeitura, que já removeu 230 das cerca de 300 famílias que viviam no local.

— Eu não sabia que pra gente ter os jogos, as Olimpíadas, a Copa aqui no Brasil precisaria remover as comunidades, limpar a faixada do Rio de Janeiro. Afinal, essa Copa é pra mim ou é para os gringos? Esse Rio de Janeiro grande e bonito foi construído pelos pobres das encostas. Se as encostas estão ocupadas pelas favelas é porque o pobre veio pra cá construir as casas dos ricos. Agora que as casas dos ricos já estão construídas, os pobres não podem mais viver nas encostas? — pergunta a Irmã Fátima.

— Pelo visto vai ficar meio difícil para o pobre assistir futebol. Vai ser muito caro. Vai ter que assistir em casa tomando a sua cervejinha e fazendo o seu churrasquinho, porque me parece que vai ficar ruim pro pobre assistir a Copa — disse a líder comunitária Zélia Carneiro, moradora do Arroio Pavuna, na Zona Oeste do Rio, outra favela ameaçada de remoção pela prefeitura.

Quando chegaram ao local do sorteio, os cerca de mil manifestantes bloquearam a Avenida Infante Don Henrique, mesmo com o forte aparato policial mobilizado para reprimir possíveis protestos.

Com o caminho em direção à Marina da Glória bloqueado pela polícia, os setores mais combativos do movimento permaneceram sentados na rua até a chegada de alguma autoridade para escutá-los. Demonstrando indiferença, um representante do Ministério dos Esportes foi ao local e ouviu as reinvindicações dos grupos que estavam protestando.

Com isso, o ato chegou ao fim, mas não a luta de milhares de pessoas que estão, todos os dias, tendo suas vidas arruinadas em prol da Copa e das Olimpíadas no Brasil

— Esse ato de hoje serviu pra dar visibilidade para as favelas e ocupações urbanas do Rio, onde têm acontecido despejos forçados. Nas comunidades eles expulsam os trabalhadores e ainda destroem as suas moradias. Sem contar que 30 milhões é muito dinheiro para gastar com esse evento de hoje. Tem muito dinheiro sendo gasto enquanto podiam estar investindo em habitação para o povo, reajustando o salário dos professores. O objetivo dos trabalhadores aqui é encampar uma luta mais pra frente, uma luta mais agressiva, uma greve geral e parar o Rio de Janeiro — disse o representante da Frente Internacionalista dos Sem-teto, Renato Dória.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s