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Professores em greve no Rio de Janeiro seguem acampados na porta da Secretaria de Educação

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Depois de serem atacados pela PM ao tentar invadir o prédio da Secretaria de Educação, profissionais e funcionários das escolas estaduais do Rio de Janeiro — em greve há dois meses — acamparam na porta do prédio da Seeduc, no Centro da cidade. Depois do corte nos salários dos trabalhadores, anunciado no final de julho pelo gerenciamento estadual, a categoria se revoltou ainda mais. De acordo com representantes do Sepe-RJ, sindicato que representa os profissionais da educação do Rio, a greve irá continuar até que o gerente Sérgio Cabral trate a categoria com respeito e atenda às suas reivindicações.

Na tarde do dia 26 de julho, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a liminar que impedia o gerenciamento estadual de descontar os dias não trabalhados dos profissionais da educação em greve. A categoria cruzou os braços no dia 7 de junho e promete não recuar enquanto Sérgio Cabral e o secretário de Educação, Wilson Risólia, não atenderem às suas reivindicações. Apesar do Rio de Janeiro ser o segundo estado mais rico da federação, o salário base da categoria é de míseros 765 reais para professores e 435 reais para funcionários. A categoria exige reajuste salarial de 26% e a incorporação imediata das gratificações do Programa Nova Escola.

Nossa equipe conversou com o diretor de imprensa do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, o Sepe-RJ., Alex Trentino, para saber qual será o posicionamento da categoria diante do anúncio do corte nos salários dos profissionais que permanecerem de braços cruzados.

Essa medida do Sérgio Cabral de cortar o nosso ponto é uma medida arbitrária. A primeira decisão do Tribunal de Justiça, inclusive, previa que a nossa greve permitiria a reposição das aulas, já que um grande período da paralisação está acontecendo durante as férias escolares. Agora, o governo do estado, ao caçar a liminar, está sacrificando o ano letivo, já que nós profissionais da educação ao ter os nossos salários cortados, a gente não vai repor essas aulas. A gente espera que o governador apresente um índice para que nós possamos voltar ao trabalho — disse o sindicalista, que também comentou a atitude arbitrária do gerenciamento estadual, que parcelou até 2015 as gratificações do Programa Nova Escola. Segundo ele, os trabalhadores exigem a incorporação imediata de todas as parcelas.

Já existe uma lei que diz que você não pode ter uma gratificação no seu salário por mais de 5 anos. Mesmo assim, a gratificação do Projeto Nova Escola está sendo paga aos profissionais da educação parcelada até 2015. O que a gente quer é a incorporação total dela no nosso piso. O que nem ao menos significa um aumento. Aumento é um índice de reajuste que o estado dá. Gratificação é uma coisa que sai do contracheque e é incorporada ao piso. A gente acha que esse parcelamento até 2015 é autoritário, pois nós sabemos que o governo tem dinheiro. Têm estudos do sindicato que indicam isso. Veja só essas denúncias de isenção fiscal para motéis, boates e termas. Recentemente, houve outra denúncia de que o dinheiro gasto com a terceirização da manutenção de viaturas da PM daria para comprar novos carros. E ele vem nos dizer que não tem dinheiro para dar um salário digno para os profissionais da educação — protesta o diretor do Sepe-RJ.

O meu sentimento é de indignação, porque quando um profissional de educação escolhe essa carreira ele escolhe porque gosta. Muitos profissionais se desiludem e acabam abandonado a carreira para fazer concurso ou trabalhar com outra coisa — relata.

Há quase três semanas, os trabalhadores estão acampados na entrada da Secretaria de Educação para pressionar o gerenciamento estadual a atender às suas exigências. O acampamento começou depois de uma tentativa de ocupação do prédio da Seeduc reprimida com violência pela PM. A ação revelou novamente o caráter reacionário do gerenciamento de Sérgio Cabral, que tem como marca registrada, desde o início de seu mandato, a repressão ferrenha aos trabalhadores em luta no Rio de Janeiro.

Essa política de repressão às greves tem sido padrão nesse governo, não só conosco e com os bombeiros, mas com outros trabalhadores também. Como o Sindicato da Justiça, que no ano passado fez uma greve e o governo cortou licenças sindicais, teve corte de salários, removeu trabalhadores dos seus locais de trabalho e por aí vai. Agora vai ter Copa do Mundo e Olimpíadas e esse governo autoritário está removendo milhares de famílias pobres das regiões onde vão acontecer os jogos. Uma política de habitação exclusivamente para os gringos. Então, a gente vê uma prática desse Estado que é autoritária, não só contra os trabalhadores, mas contra os movimentos sociais como um todo — disse Alex.

Nossa equipe também esteve no acampamento, na Rua da Ajuda, Centro do Rio, para conversar com os profissionais que estavam no local. Entre eles estava o professor de filosofia do Colégio Estadual Carmela Dutra, Diego Felipe, de 28 anos.

A gente tem uma greve, que é o maior instrumento de luta dos trabalhadores, e o acampamento é a expressão radicalizada da greve. A gente acampar aqui incomoda mais os governantes do que greve de pijama, onde as pessoas simplesmente não vão trabalhar. Todos estão dizendo aqui que o acampamento é uma prova de que essa greve não é como as anteriores, onde as coisas pareciam não se mover, prova de que essa greve não é burocrática — avalia o professor.

O meu sentimento é de bastante revolta. Eu já sou revoltado com a situação da educação, desde que eu era estudante da rede estadual e sempre percebi que as coisas não andavam bem. Porque é muito complicado você saber que uma profissão tão importante quanto docente vive em uma situação tão precária, ganhando mal, em péssimas condições de trabalho. Não tem como não se revoltar. As pessoas não ficam sabendo por bloqueios do monopólio da imprensa. Enquanto o secretário de educação pensar que a educação é mercadoria, como ele mesmo disse, tudo vai andar às piores mesmo. Educação é sim a nossa maior possibilidade de transformar a realidade, de transformar as consciências das pessoas — diz.

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