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Moradores desmascaram militarização em flagrante de abuso de PMs da UPP

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Como publicado em A Nova Democracia n° 68, no início de julho, o comerciante e músico André Luís Gonçalves de Araújo, de 34 anos, foi preso arbitrariamente, espancado e baleado nas costas por PMs no morro do Cantagalo. Exatamente um mês depois do incidente, policiais da UPP — um deles dizendo-se o autor do disparo que feriu André — foram flagrados em um vídeo produzido por moradores, xingando e dando tapas em um jovem enquanto revistavam-no.

Uma senhora que acompanhava tudo da varanda de sua casa disse que iria relatar o abuso ao comandante da UPP. ‘Vai lá então’ ironizou o policial apontando sua identificação na farda: ‘Tá aqui ó. Vieira’. Em seguida, a senhora acusa o PM de ter efetuado o disparo que feriu André nas costas. ‘Acertou nas costas? Deu sorte, porque era para acertar na cabeça!’. Respondeu o policial.
Tinha um rapaz sentado em uma cadeira no alto do morro e os PMs já chegaram intimidando ele perguntando o que ele estava fazendo, cheios de grosseria. Ele disse que só estava tomando um ar e, do nada, um dos policiais deu um tapa na cara dele. Uma menina estava filmando tudo, quando uma senhora interferiu acusando um dos PMs de ser o autor do tiro que me acertou nas costas. Como resposta, o policial disse que ‘eu dei sorte, pois era para ter acertado na cabeça’. Ela ofereceu o vídeo para a Globo e para a Record, mas segundo ela, eles rejeitaram. Em breve, eu vou testemunhar contra os policiais que me balearam, só que o único que não foi afastado, ainda está aqui no morro e pelo visto foi quem atirou em mim — contou André a nossa equipe de reportagem.
Se eles continuarem humilhando as pessoas, a comunidade vai se colocar cada vez mais contra a polícia. Porque parece que nos humilhar os deixa mais feliz. O povo todo acredita que a nossa luta vai trazer alguma melhoria, porque só depende de nós mesmos. Espero que o meu caso sirva de exemplo para que outros lutem por igualdade, lutem para acabar com esse negócio de que só o pobre é o errado. Nós somos todos iguais, independente de ser branco, negro, índio, rico ou pobre. Temos que recuperar nossa dignidade. O povo só quer ser feliz, mas para isso, temos que lutar muito — diz o comerciante.
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Uma resposta

  1. Saudações!Quando tiver um tempo dê uma olhada no novo blog do Comitê de apoio ao jornal A Nova Democracia – Rio de Janeiro.http://comite-anovademocracia.blogspot.com/Forte abraço.

    10 de setembro de 2010 às 14:24

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