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Povo paraense se levanta em combativos protestos contra o Estado reacionário

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Desde o início de agosto que o povo de Belém do Pará não dá descanso para a polícia de Ana Júlia Carepa, do PT, declarada inimiga do povo e responsável por inúmeros ataques aos movimentos populares no estado, em especial ao movimento camponês, em episódios lamentáveis como a Operação Paz no Campo. Na capital, Belém, o tratamento dado pelo Estado reacionário às massas não é diferente. Desde o início de agosto, inúmeros protestos foram deflagrados por moradores de bairros pobres de Belém, denunciando a inoperância e a indiferença dos gerenciamentos de turno.

COHAB Eduardo Angelim

No dia 6 de agosto, moradores do conjunto habitacional Eduardo Angelim bloquearam uma das pistas da Avenida Augusto Montenegro para denunciar o precário sistema de abastecimento de água no bairro pobre de Belém. Quando o protesto foi deflagrado, moradores já estavam há dez dias sem água e relataram que os reparos feitos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém (Saaeb) não duram mais que dois meses.

O Saaeb vem aqui conserta e a água volta. Cerca de dois meses depois a falta de água volta, fazemos protestos e eles retornam para ajeitar. Esse círculo vicioso nunca acaba — relatou o técnico em informática Jefferson Silva, morador conjunto.

A polícia militar de Belém chegou à manifestação e tentou expulsar os moradores da Avenida Augusto Montenegro e retirar a barricada de pneus em chamas montada pelos manifestantes, dando início a um confronto que durou quase meia hora. Bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas contra a multidão de quase 200 pessoas, ferindo mulheres e crianças.

Conjunto Satélite

Três dias depois, moradores do Conjunto Satélite, também em Belém, bloquearam a mesma avenida depois que o morador e líder comunitário Airton Pena fora baleado por pistoleiros contratados pelo dono do terreno onde está o Conjunto. O local é considerado uma invasão pelo Estado reacionário, mas moradores prometeram resistir a qualquer tentativa de reintegração de posse da reação, o que teria irritado o proprietário do terreno e suposto mandante da emboscada.

Durante o protesto, PMs atiraram balas de borracha e bombas contra os cerca de 350 manifestantes, que responderam com fogos de artifício, paus e pedras. O morador Airton Pena foi levado para o Hospital Metropolitano de Belém onde foi operado.

Pouco mais de uma semana após o protesto, no dia 18 de agosto, aconteceu o que os moradores do Conjunto Satélite temiam: bombeiros, tropa de choque da polícia e equipes da prefeitura de Belém voltaram ao local, desta vez, acompanhados de dois oficiais de justiça munidos de um mandado de reintegração de posse, para garantir a expulsão das 370 famílias que viviam no local. Com a chegada dos tratores e da polícia, moradores construíram barricadas nas entradas do Conjunto Satélite, mas não conseguiram deter os mais de 200 policiais e 300 operários deslocados para a invasão. Segundo denúncias, inclusive de um dos oficiais de justiça, os responsáveis pelos caminhões da prefeitura, que deveriam recolher os pertences dos moradores gratuitamente, estavam cobrando 70 reais por família para fazer o transporte.

Revoltados, alguns moradores queimaram suas casas, criando uma espessa nuvem de fumaça e impedindo que os demolidores continuassem o trabalho sujo ordenado por Ana Júlia Carepa, concomunada provavelmente com os donos do terreno e contratantes dos pistoleiros que tentaram assassinar o líder comunitário Airton Pena.

Vila Branca

No dia 22 de agosto, Um garoto de 17 anos foi preso arbitrariamente pela polícia acusado de participar de um roubo no bairro pobre Vila Branca. O menino foi apontado pela vítima do assalto e preso em seguida. Revoltados, os moradores bloquearam a Avenida Pedro Álvares Cabral para protestar.

Esse menino nunca fez nada contra ninguém. Ele é muito calmo. Deve ter sido confundido. Ele estuda e trabalha. O pessoal da Vila Branca se revoltou com o jeito que a Rotam abordou o garoto. Gritando, xingando, batendo nele — disse a moradora Jacira Barbosa, de 59 anos.

Mesmo após o protesto, a polícia e a secretaria de segurança do Pará não reviram a prisão do menino e não pretendem fazer nenhum tipo de investigação para saber se ele realmente participou do suposto assalto. Enquanto isso o jovem de 17 anos permanece na unidade do Espaço Recomeço (Erec), em Belém, onde segundo a assessoria de imprensa da polícia militar, ele permanecerá por, pelo menos, 45 dias.
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