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Burguesia se nega a aumentar salários e operários se rebelam no Bangladesh

Operários se rebelam e indústrias
fecham as portas no Bangladesh
 Nota de Patrick Granja, publicada no BLOG do jornal A Nova Democracia 
Mais de 700 fábricas de roupas, que fornecem praticamente todas as peças de vestuários usadas no Ocidente, fecharam as portas por conta de uma gigantesca greve operária no Bangladesh. A greve, que já dura um mês, reúne cerca de 800 mil trabalhadores, sendo a zona industrial de Ashulia o maior foco das manifestações. A burguesia foi obrigada a fechar os portões das indústrias e reforçar o policiamento, quando mais de 100 mil operários ameaçaram invadir os galpões e destruir as máquinas e ferramentas.

As fábricas de roupas do Bangladesh abastecem o comércio mundial de marcas-símbolos do imperialismo, como o Wal-Mart, a H&M, a Tesco, o Carrefour e o Metro, bem como as etiquetas de moda Tommy Hilfiger, GAP e Levi Strauss. O faturamento médio anual de cada uma dessas marcas chega a 35 bilhões de dólares, enquanto que o salário médio dos operários não ultrapassa 100 dólares por mês. Isso quer dizer que os salário de todos os operários, por um ano, custam aos cofres de cada empresa 0,5% do faturamento anual. E pensar que os protestos em Ashulia, ao norte de Dhaka, fazem parte de uma cansativa jornada de greves operárias por melhores condições de trabalho e aumentos de salários, reivindicações que a burguesia, irredutivelmente, se nega a atender.

Nos protestos de ontem (21), mesmo com o reforço policial nas fábricas, mais de 50 delas foram invadidas e destruídas pela justa rebelião operária. A tropa de choque da polícia tentou impedir as invasões, mas foi atacada pelas massas com pedras e coquetéis molotov. E mesmo faturando bilhões de dólares por ano, representantes da Associação de Fabricantes e Exportadores do Bangladesh (BGMEA) ainda se queixaram dos prejuízos causados pelos manifestantes. Prejuízos ou redução dos lucros?

Os protestos vão continuar. Vamos fechar todas as fábricas de vestuário, vamos organizar greves por todo o país, em todos os centros industriais do país. Vamos continuar até que as autoridades aumentem os salários dos trabalhadores — disse o líder sindical Mosherefa Mishu.

A greve operária no Bangladesh está prestes a se transformar em uma greve geral, já que a produção das indústrias de vestuários no país representam 80% das exportações e empregam 40% da força de trabalho industrial.

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