Apóie a imprensa democrática e popular

Greves e manifestações tomam as ruas da África do Sul em repúdio à Copa imperialista

A polícia sul-africana teve que assumir a segurança em quatro dos dez estádios da Copa do Mundo depois que os trabalhadores contratados para a função cruzaram os braços. Eles receberiam cerca de 100 reais por dia de trabalho, mas apenas 40 reais foram pagos após o primeiro dia. O impasse começou no dia 13 ainda no estádio Moses Mabhida Stadium, em Durban, após o jogo entre a Alemanha e a Austrália. Quando os trabalhadores receberam menos da metade do combinado, no estacionamento do estádio, centenas deles se reuniram para protestar e a polícia foi chamada pelos organizadores do evento para reprimir a massa inconformada. Bombas de gás e tiros de bala de borracha foram disparados a esmo pela repressão em direção aos trabalhadores, que responderam com pedras e garrafas.

Já no dia 15, os trabalhadores contratados para fazer a segurança dos jogos na Cidade do Cabo cruzaram os braços em solidariedade ao movimento em Durban e rapidamente milhares de trabalhadores fizeram o mesmo em outras cinco localidades, como no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, onde o Brasil jogou com a Coréia do Norte no dia 15. Com isso a polícia sul-africana assumiu a segurança dos estádios.

Não nos dão comida e nem nos deixam trazer de casa. O salário que haviam prometido não é o que estamos ganhando. Fomos enganados! — protestou Thabi, segurança do Ellis Park.

No dia 16, quando os sul-africanos celebravam o 35° aniversário do Levante de Soweto, os organizadores da Copa anunciaram a demissão dos trabalhadores em greve, o que causou ainda mais revolta. No mesmo dia, mais de 10 mil pessoas marcharam em Durban contra os gastos bilionários do gerenciamento de Jacob Zuma, borra-botas do imperialismo.

Se o governo tem dinheiro para a Copa do Mundo é inaceitável que a maioria do povo sul-africano não tenha onde morar ou viva em barracos de madeira. O governo deu todo o dinheiro do povo para a Fifa e agora não tem nem 50 dólares para nos pagar — disse Murphy Allan, um dos organizadores do protesto, que também contou com a participação de pescadores e outros trabalhadores locais que foram prejudicados pela Copa.

No dia seguinte, a federação de sindicatos Cosatu que reúne mais de 2 milhões de trabalhadores, também ameaçou mobilizar uma greve geral contra o que a organização chamou de “um desrespeito com o povo sul-africano, que trabalhou duro para que a Copa acontecesse e agora está sendo atacado pelos organizadores e pelo governo, apenas por exigir seus salários”.

Enquanto a greve geral não acontece, os mineiros — maior categoria do país — já cruzaram os braços exigindo melhores salários e condições de trabalho. Na empresa de mineração de diamantes De Beers, na qual a Anglo American tem participação, mais de 3 mil trabalhadores já estão em greve por tempo indeterminado.

Motoristas do Serviço de Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) também cruzaram os braços na semana passada. Responsáveis pelo transporte de mais de 2 milhões de pessoas por dia durante a Copa, os rodoviários dizem estar trabalhando em dobro durante o evento e, mesmo assim, não estão recebendo hora-extra. Além disso, eles afirmam que não foram avisados com antecedência da dupla jornada de trabalho pela Clidet, empresa que administra os serviços de transporte privado na Copa do Mundo. Na sexta-feira, a diretora da empresa, Jackie Huntley, disse que a greve é ilegal, “pois é inaceitável interromper o transporte no dia de uma partida da Copa”. Inaceitável é haver Copa em um país onde metade do povo vive em condições miseráveis de sobrevivência.

O gasto total do governo sul-africano com a Copa foi de aproximadamente 43 bilhões de rands ou 10 bilhões de reais, enquanto 40% da população vive com menos de 2 dólares por dia. Enquanto isso, a Fifa calcula um lucro de 24 bilhões de rands, ou 6 bilhões de reais. Somente a construção dos estádios para a Copa fez a divida pública do país crescer 1,4 bilhões. Isso sem contar com os gastos com as operações em curso e a futura manutenção das instalações. Somente os patrocinadores, como a Nike e a Adidas, gastaram um total de 43,6 bilhões de dólares ou 305 bilhões de rands sul-africanos.

Além dessas marcas, várias outras também participaram desse investimento, como as de cervejas, refrigerantes e eletrônicos.Foram gastos cerca de 2 bilhões de dólares com segurança. A polícia recebeu equipamentos novos para todo tipo de ação. São carros, helicópteros, armas e o treinamento de seus homens. Além disso, há intercâmbio com organismos internacionais e vários agentes da Interpol trabalhando no país. Na Copa, 44 mil policiais estão encarregados da repressão ao povo.

Em 2004, os jogos olímpicos de Atenas causaram um rombo de 14 bilhões de dólares na economia do país e as instalações esportivas que foram construídas estão abandonadas. Um exemplo é o complexo de estádios de hóquei de campo, softbol e beisebol construído em Atenas, que custou 213 milhões de dólares e hoje está trancado e escondido por trás de uma cerca de arame farpado. Imaginem o que acontecerá com a economia sul-africana e, automaticamente, com a já miserável condição de vida do povo.Os protestos que estão tomando conta da África do Sul, não passam de uma justa reação do povo à farra do imperialismo na Copa do Mundo, pela qual os trabalhadores estão pagando com seu sangue e seu suor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s