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Rio de Janeiro: Choque de ordem continua massacrando trabalhadores pobres

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Mais uma vez, AND traz, na íntegra, a rotina de abusos cometidos pelo “choque de ordem” de Eduardo Paes, contra trabalhadores pobres no Rio de Janeiro, política fascista que já completa nove meses, farta de aplausos dos reacionários de plantão.

Dia 30 de agosto, durante operação na orla de Ipanema, bairro com o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro, enquanto jovens que moram no local fumavam maconha livremente na areia da praia, seis vendedores de limonada tiveram seu material de trabalho confiscado por agentes da prefeitura. Sete kombis, usadas pelos trabalhadores como depósito de mercadorias, também foram atacados pelos guardas. No dia 9 de setembro, as equipes do “choque de ordem” foram à estrada de Jacarepaguá, próximo a favela Rio das Pedras (Zona Oeste do Rio), onde promoveram nova onda de destruição, reduzindo a pó e entulho um prédio de seis andares onde moravam 38 pessoas, num total de 11 famílias, que agora não têm para onde ir.

No dia seguinte, as demolições continuaram, desta vez no bairro de Higienópolis, próximo à favela Nova Brasília, na zona norte da cidade. Na ocasião, foram destruídas 119 barracas onde camelôs trabalhavam há mais de quinze anos e um prédio de dois andares na esquina da avenida Itaóca com a Rua Aripibuí, onde funcionavam pequenas lojas de roupas e material de construção. Entre as estruturas estavam uma barbearia, uma peixaria, um chaveiro e dezenas de comerciantes de roupas, bijuterias e alimentos.

Derrubar barraco e reprimir o pobre trabalhador é fácil. Quero ver acabar com aquela obra na avenida Itaóca com a Adhemar Bebiano que já tem mais de 2 anos e está parecendo o fim do mundo de tanta sujeira. Lamentável esse prefeito que não pensa no povo — protestou o morador de Higienópolis e operador de telemarketing, Bernardo da Silva Lira, de 25 anos.

Mesmo assim, o foco das ações continua sendo o Recreio dos Bandeirantes, onde sete prédios já foram varridos desde o início do “choque de ordem”. Locais que serviam de moradia para dezenas de famílias, agora desabrigadas, hoje tornaram-se depósitos de lixo, como mostra a imagem acima. No dia 15 de setembro foi a vez dos flanelinhas serem reprimidos pelas equipes da Seop — Secretaria Especial de Ordem Pública — juntamente com as polícias civil e militar, que prenderam um total de dez guardadores de carros que trabalhavam nas ruas do Centro, onde no mesmo dia à noite, 54 moradores de rua foram retirados das calçadas e levados para as masmorras que Eduardo Paes chama de “abrigos”.

Joaquim José Pinto é vendedor de churrasquinhos em uma rua da Tijuca há mais de 20 anos e em abril relatou à reportagem de AND o roubo de seu material de trabalho por agentes do “choque de ordem” no dia em que foi realizada uma partida de futebol no estádio Maracanã, próximo ao local de trabalho de Joaquim. Até hoje, o senhor de 57 anos não conseguiu recuperar os objetos confiscados e está desempregado desde o dia da repressão.

Isso é um “choque de tristeza” na nossa vida. Mesmo com dificuldade, a gente conseguia levar quando eu tinha meu lugarzinho. Depois de 20 anos de trabalho, todo mundo me conhecia. Sem fazer nada não posso ficar, então estou fazendo bico, varrendo a calçada dos outros, entregando compras. Esse choque de ordem está sendo um pesadelo na vida do trabalhador. Minha mulher sai de casa e deixa as crianças sozinhas, mas não tem jeito, ela tem que trabalhar também, porque o dinheiro que eu ganho não está dando para colocar nem a comida dentro de casa — lamenta Joaquim.

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