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Moradores de Heliópolis enfrentam a PM exigindo justiça

Por Patrick Granja / A Nova Democracia

Na noite de segunda-feira, 31 de agosto, agentes da Guarda Civil Metropolitana de São Caetano, no ABC paulista, mesmo fora de jurisdição, realizavam suposta perseguição a bandidos nos arredores da f avela de Heliópolis, quando balearam no pescoço a adolescente Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, que morreu na hora. O episódio despertou a revolta dos moradores que organizaram um protesto no mesmo dia exigindo justiça para os assassinos de Ana Cristina, mas foram rapidamente reprimidos pela tropa de choque da PM paulista. No dia seguinte, um bilhete foi distribuído pela família da vítima aos moradores da comunidade convocando-os para um protesto na noite de terça-feira.

Sensibilizada, a população de Heliópolis compareceu em peso à rua Avenida Almirante Delamare e promoveu combativo protesto que não se intimidou com a chegada da PM, recebida pelos manifestantes com uma chuva de paus, pedras e coquetéis molotov. Ao final do protesto, cerca de nove veículos, entre ônibus e carros, foram incendiados pela massa, um policial ficou ferido e 21 moradores acabaram presos.

A palavra justiça foi escrita no chão pelos manifestantes ao lado de um ônibus incendiado. Ana Cristina tinha um filho de dois anos e voltava da escola quando foi assassinada. Segundo nota publicada pela secretaria de segurança da prefeitura de São Caetano, os policiais não tiveram culpa, mas segundo testemunhas, o assassinato foi conseqüência de mais uma distribuição de tiros a esmo promovida pela PM, seguindo o protocolo do Estado e impondo o terror aos bairros pobres de São Paulo e de todo Brasil.

O GCM [guarda-civil municipal] começou a atirar. Foram cinco ou seis disparos. Ele veio em minha direção, perguntou o nome da rua, puxou o rádio, depois desceu nervoso, tremendo, com arma da mão, sabendo que tinha matado a menina — afirmou uma testemunha ao portal G1. Em apenas três meses, esse é o quinto caso de violência policial em São Paulo incluindo a execução de moradores. Em todos os episódios houve protestos combativos como em Heliópolis essa semana.

Eu quero pedir justiça. Minha sobrinha é uma vítima, mãe de uma criança e era uma estudante — falou Maria Gorete Macedo, tia de Ana Cristina.

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