As imagens contidas nesse video mostram cenas e relatos dos momentos de terror vividos pelos moradores da favela Pinheirinho no último dia 22 de janeiro. Na ocasião, 10 mil famílias foram expulsas pelo gerenciamento Alckmim de um terreno no município de São José dos Campos, interor de São Paulo. Nos dias seguintes, nossa reportagem esteve no local e conversou com várias vítimas da operação de guerra mobilizada pelas forças de repressão do velho Estado contra as famílias que viviam no local. Muitas pessoas que entrevistamos apresentavam ferimentos pelo corpo, segundo elas, causados por sessões de espancamento comandadas pela ROTA, conhecida pelas atrocidades que comete contra o povo nas favelas e bairros pobres de São Paulo.
Quando nossa reportagem esteve no abrigo montado na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro — ao lado do Pinheirinho —, muitos desabrigados relataram as atrocidades cometidas pela PM durante o despejo. Revoltada, uma moradora abrigada na igreja com sua família denunciou algumas da mentiras veiculadas pelo monopólio dos meios de comunicação em conluiu com os gerenciamentos de turno.
No último dia 28 de janeiro, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), autorizou o despejo de 900 pessoas que viviam em 450 barracos no latifúndio Fazenda Sálvia, às margens da rodovia DF-330 entre Sobradinho e Paranoá. O terreno de 306 hectáres pertence à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento e Gestão e estava completamente abandonado quando foi ocupado pelas famílias.
Às 9:50h da manhã de sábado, 450 policiais civis, militares e federais chegaram ao local para retirar os camponeses. Uma mulher grávida passou mal e teve que ser levada para o hospital. 29 trabalhadores foram presos acusados de desacato à autoridade e invasão com intenção de ocupar terras da União.
— Não quero nada de ninguém. Queria só um pedaço de chão para plantar, mas, como não deu certo, vou esperar uma oportunidade. O governo tinha de ajudar quem precisa. Essa terra está parada — disse o agricultor José Pereira Gonçalves, de 48 anos, ao portal do jornal Correio Braziliense.
Às vésperas de mais uma eleição burguesa, escancaram-se as contradições dos partidos oportunista eleitoreiros que se lançam na disputa por uma fatia da pizza. Curiosamente, o governador Agnelo Queiroz, mandante desse despejo, por exemplo, compõe as fileiras do mesmo PT, que gastou baldes de saliva criticando a violenta expulsão dos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos, SP, governado elo PSDB. Verdade seja dita: este ano, sujos e mal lavados, ainda falarão muito mal uns dos outros.
Depois do violento despejo da favela Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo, a reportagem de AND visitou alguns dos abrigos onde milhares de ex-moradores encontram-se alojados. Na igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, milhares de desabrigados compartilham um pequenos espaço onde comida, água e banheiro são escassos. Dentre as pessoas que estavam no local, muitas procuravam notícias de parentes desaparecidos durante o despejo. Outras denunciavam as sessões de tortura comadadas pela ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), a mais letal tropa da PM de São Paulo. Muito abatido e com dificuldades para andar, um jovem trabalhador conversou com nossa reportagem e disse ter sido espanacado por policiais.
Nossa reportagem também conversou com a mãe do jovem David Furtado, baleado nas costas por homens da Guarda Civil Metropolitana. Dona Rejane disse que o estado de saúde de David ainda é muito delicado e que irá lutar por justiça. Já o aposentado Antônio dos Santos disse que está há dias procurando pela irmã e pelos sobrinhos, também desaparecidos. Além dele, conversamos com a ex-esposa do aposentado Ivo Teles dos Santos, de 72 anos, que também está desaparecido. Segundo vizinhos, o senhor foi visto pela última vez durante o despejo do Pinheirinho com ferimentos a bala nas pernas e queimaduras por todo o corpo.
Há cerca de duas semanas, aproximadamente 10 mil trabalhadores pobres que ocupam desde 2004 um terreno na cidade de São José dos Campos, São Paulo, preparam-se para resistir à ação de reintegração de posse anunciada pelo gerenciamento Alckmin. O terreno pertence à massa falida da empresa Selecta S/A, que deve cerca de 10 milhões à prefeitura de São José dos Campos. Durante essas duas semanas, moradores da ocupação, conhecida como Pinheirinho, ergueram barricadas, improvisaram armas e escudos e prometeram enfrentar a polícia caso o despejo forçado fosse, de fato, levado a cabo.
No início da manhã de hoje, dia 22 de janeiro, mais de 2 mil policiais e guardas civis metropolitanos chegaram ao local com um aparato de guerra. O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, chegou a dizer à TV Vanguarda que a reintegração de posse seria pacífica. No entanto, inúmeras videos foram postados por moradores na internet denunciando os abusos cometidos pela polícia e pela GCM contra os trabalhadores.
Há vários feridos e pessoas detidas. Informações dos moradores da ocupação falam em mortos e pessoas desaparecidas. A Guarda Municipal usou balas letais contra a população. O advogado do movimento, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, e o presidente do Sindicato dos Condutores, José Carlos, foram feridos com tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Até crianças feridas foram atendidas em Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Os fornecimentos de água, energia elétrica e telefone foram cortados na região.
A população de bairros vizinhos está revoltada com a ação da polícia realizada durante todo o dia. Nos bairros Residencial União e Campo dos Alemães, a população se rebelou atirando pedras contra os soldados. Tentaram derrubar as tendas armadas para colocar os moradores do Pinheirinho. Chegaram a derrubar as grades do Centro Poliesportivo do Campo dos Alemães, local para onde estão sendo levados os moradores para fazer a triagem. (Informações da Rede Contra a Violência)
Os moradores do Pinheirinho resistiram bravamente, como disseram que fariam. Pedras e paus foram usados pelos manifestantes contra a tropa de choque, que respondeu com tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Segundo informações dos moradores do Pinheirinho, um homem teria ficado gravemente ferido depois de ser atingido por um tiro de munição real disparado pela GCM. Inúmeros carros foram incendiados pela massa em fúria. Entre eles estava a Unidade Móvel de Jornalismo da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo. A resitência foi uma importante lição de bravura aos trabalhadores em luta por todo o Brasil.
Na última quarta-feira, dia 18 de janeiro, mais uma vez, estudantes e trabalhadores fizeram uma manifestação no Centro do Rio de Janeiro contra o aumento no preço das tarifas de ônibus. O protesto partiu da igreja da Candelária e seguiu até a Central do Brasil, onde manifestantes pularam as roletas dos ônibus e abriram as portas de trás dos coletivos, liberando o acesso à população. O preço da passagem de ônibus foi reajustado pelo gerenciamneto Cabral no dia 1º de janeiro e passou de R$ 2,50 para R$ 2,75, revoltando milhões de trabalhadores que dependem do transporte. Durante a manifestação de ontem, nossa reportagem conversou com vários trabalhadores que não pouparam críticas ao reajuste da tarifa, o segundo em apenas um ano.
Segundo os manifestantes, todas as quartas-feiras, às 18h haverá protestos partindo da Cadelária e terminando com o famoso pulão na Cenral do Brasil. Os atos irão acontecer até que o reajuste no preço das passagens seja revogado.