JIRAU: O conflito continua
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
A greve dos trabalhadores da Usina de JIRAU, em Porto Velho, acabou no dia 2 de abril. Apesar da propaganda da volta a normalidade na usina, nossa reportagem verificou in loco que a situação não é tão pacífica quanto o monopólio dos meios de comunicação e a empresa tentam mostar. Mais de dois mil trabalhadores deixaram a obra no último mês. Muitos deles foram demitidos, mas uma grande parte não suportou as condições de trabalho na usina e decidiu voltar para casa. A situação é bastante complicada para os operários que saíram de diversas partes do país iludidos com as promessas de salário na Usina de JIRAU.
Com o fim da greve, a polícia de Rondonia empreendeu uma verdadeira caçada a um grupo de trabalhadores. Mesmo sem provas, eles foram acusados pelo ministério público de atearem fogo aos alojamentos. O incêndio ocorreu no dia dois de abril, após o fim da greve. Eles estão presos no presídio urso panda, em porto velho. Segundo o advogado dos operários eles estão sofrendo maus-tratos. Até agora não foram apresentadas provas de que os operários presos estariam implicados no ato.
A greve, que ocorre pela segunda vez, foi iniciada em março de 2011. Os trabalhadores reivindicavam melhores condicoes de trabalho, salários e assistencia ao trabalhador. Durante a greve, vários trabalhadores se mostraram descontentes com a atuação do sindicato da categoria, o Sticcero. O sindicato pediu várias vezes ao trabalhador que atendesse ao apelo das empresas e retornasse aos trabalho.
Com o fim da greve, algumas vitórias foram conquistadas, mas ainda restam várias reivindicações, como a saída da polícia da obra e melhorias no plano de saúde. Nos últimos dias, os trabalhadores que fizeram parte da comissao de negociação estavam sendo ameçados de não poderem voltar ao trabalho. Durante a permanencia da nossa reportagem em Porto Velho, alguns elementos da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, tentaram intimidar nossa equipe numa reuniao de negociação entre os trabalhadores e a empresa.
JIRAU: Justiça e sindicato atacam trabalhadores
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
A Justiça do Trabalho de Rondônia condenou, no último dia 03, as empresas WPG Construções e Empreendimentos Ltda e TPC Construções e Terraplanagem Ltda, e de forma subsidiária o consórcio construtor da Usina de Jirau “Energia Sustentável do Brasil”, a pagar aos trabalhadores os salários atrasados, as verbas rescisórias, assinatura da carteira de trabalho e pagamento do custeio com alojamento e três refeições diárias, durante o período que os trabalhadores estiverem aguardando o recebimento dos salários atrasados e verbas rescisórias. Além do reembolso ao Sindicato de todos os valores gastos em alojamento, alimentação e na concessão das passagens para que os trabalhadores regressassem as suas casas.
AND acompanhou de perto a luta dos trabalhadores da WPG e TPC, que foram abandonados pelas empresas e tiveram que enfrentar o peleguismo do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), que insistia em fazer o papel da empresa, solicitando via ação judicial o pagamento somente dos dias trabalhados, não reconhecendo o prejuízo material sofrido pelos trabalhadores desde o desaparecimento dos responsáveis pela empresa, em novembro do ano passado.
O juiz condenou as empresas a pagar os salários atrasados até 07/11/2011, concordando, portanto com a tese do Sticcero e rejeitando a tese do Ministério Público do Trabalho, que argumentava que devido à continuidade do vínculo com a empresa, os trabalhadores deveriam receber até o dia da baixa na carteira de trabalho. Os trabalhadores concordavam com a tese do MPT, preferindo inclusive que o este o defendesse, ao invés do sindicato. Eles alegam que foram prejudicados com o resultado do processo.
Atualmente, a maioria dos trabalhadores já retornou às cidades e estados de origem. Segundo um trabalhador ouvido por nossa reportagem, eles foram contactados pelo MPT e pela Justiça Federal, que já possuem todos os dados bancários e de contatos de todos os trabalhadores. Mas ainda será necessário esperar pela manifestação das empresas e pelo cumprimento da sentença.
A desconfiança dos trabalhadores é grande, já que não podem confiar no Sindicato. Na sentença, ficou claro o conflito entre trabalhadores, MTP e Sticcero, sendo que este último chegou a acusar o MPT de colocar os trabalhadores contra o sindicato. No dia 27 de abril, logo após o fim da audiência, o sindicato cancelou o alojamento e a alimentação dos trabalhadores. O sindicato alega que a situação já foi resolvida e que os trabalhadores receberam passagens para voltar para casa. Mas uma comissão decidiu continuar em Porto Velho e seguir lutando pelo reconhecimento de todos os seus direitos.
2011: Greves e despejos no rastro da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil
Por Patrick Granja / Especial para o jornal A Nova Democracia, edição 85
Ano passado, a notícia da escolha do Brasil como país sede das olimpíadas de 2016 foi recebida com euforia por milhares de pessoas na praia de Copacabana. Já em 2011, passada a ilusão, começa a ficar claro para as massas empobrecidas a que serve o circo dos mega-eventos. Construtoras milionárias tornaram-se bilionárias embolsando dinheiro público para reformar e construir estádios e executar obras de grande porte; exigências da Fifa e do Comitê Olimpíco Internacional. Com isso, favelas e bairros pobres inteiros foram despejados das áreas nobres do país para regiões remotas. Tudo minuciosamente maquiado pelo monopólio dos meios de comunicação — grande arrendatário dos lucros desse circo — e a propaganda institucional, que insiste em dizer: ‘a responsabilidade é de todos nós’.
Apesar de toda a opressão — com remoções de favelas, despejos forçados de ocupações e repressão violenta aos movimentos sociais —, o ano de 2011 também foi um período de luta ferrenha para os operários da construção civil em todo o país. Responsáveis por erguer toda a estrutura do circo dos megaeventos, operários cruzaram os braços em vários estados, cansados do arrocho imposto pelos consórcios que administram as obras.
Greves Brasil afora
No Rio de Janeiro, operários que trabalham na reforma do Maracanã cruzaram os braços em duas ocasiões. Na primeira vez, a paralisação começou depois que a explosão de um tonél de combustível feriu um operário. Na segunda ocasião, trabalhadores cruzaram os braços depois que o consórcio serviu comida estragada aos operários do turno da noite. Dessa vez, a greve se estendeu por três semanas. Depois de uma longa queda de braço entre os trabalhadores e o bilonário consórcio — que reúne as empresas Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez — o Tribunal Regional do Trabalho, TRT, decidiu a favor dos patrões e decretou a greve ilegal, mostrando a quem serve a justiça desse Estado apodrecido. As únicas conquistas dos operários em sua jornada de lutas foram o plano de saúde individual e um aumento de 100 para 180 reais no vale alimentação, que continua defasado se comparado ao valor pago aos operários de outros estados.
No estádio Mineirão, em Belo Horizonte, operários já cruzaram os braços em três ocasiões em 2011, exigindo, entre outras questões, equiparação salarial com os trabalhadores da construção de São Paulo e extensão do plano de saúde aos familiares. A última paralisação aconteceu no dia 16 de setembro, quando Dilma Roussef esteve em Belo Horizonte para participar de uma festa marcando o início da contagem regressiva de mil dias para a copa do mundo. Professores em greve, na ocasião, se uniram aos operários para repudiar a presença da gerente de turno.
Já em Salvador, operários que trabalham nas obras de reforma do estádio Fonte Nova tiveram conquistas significativas em sua greve nos meses de agosto e setembro. A principal delas foi um abono de 180 reais, pago em quatro parcelas.
Em Brasília, 2,3 mil trabalhadores das obras do estádio Mané Garrincha também cruzaram os braços em outubro exigindo aumento salarial, pagamento imediato de 20 horas-prêmio prometidas pelo consórcio três meses antes da greve, aumento do percentual pago sobre horas extras e bonificação por produtividade. A greve acabou depois de dez dias e o consórcio que administra a obra — orçada em 745 milhões de reais — aceitou pagar aos trabalhadores apenas um abono equivalente a 30% do salário e auxílio-alimentação.
Em Recife, 1,6 mil operários da obra da Arena Pernambuco cruzaram os braços em novembro alegando maus tratos, assédio moral e contestando a demissão de dois membros da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), um carpinteiro e um ajudante. No dia 3 de novembro, PMs impediram a realização de uma assembléia geral dos trabalhadores. Os políciais exigiram a retirada do carro de som do local, mas os operários não aceitaram e reagiram. PMs atacaram os trabalhadores a golpes de cacetete e um operário foi preso. A greve acabou depois que o TRT decretou o movimento ilegal.
No Rio Grande do Sul, operários que trabalham na construção da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, se revoltaram no início de outubro depois que um operário foi atropelado no percurso entre o canteiro de obras e o alojamento e morreu no local. Os trabalhadores bloquearam a BR-290 durante o fim da tarde e a noite e entraram em confronto com a polícia.
Remoções forçadas
Além do arrocho aos operários que trabalham nas obras, outro aspecto marcante nos preparativos para os megaeventos são os despejos e remoções forçadas que antecedem essas grandes construções. A reurbanização das grandes cidades do Brasil e seu impacto avassalador na vida do povo pobre têm sido alvo de críticas de urbanistas por todo o país.
— Estamos frente a um novo pacto territorial, redefinido por antigas lideranças paroquiais, sustentadas por frações do capital imobiliário e financeiro, e amparadas pela burocracia do Estado — disse Orlando dos Santos Junior, mestre e doutor em Planejamento Urbano da UFRJ.
— Existe um controle do espaço público para atender aos patrocinadores, que querem o espaço das cidades, e não apenas do estádio. Qual poderia ser o legado humano desses eventos? — pergunta a mestre em arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Nelma Oliveira.
Mesmo com todas as críticas, para os arrendatários desse circo, as obras não podem parar e as remoções seguem acontecendo por todo o país. No Rio de Janeiro, as obras de construção de cerca de 100 quilômetros de vias — os corredores expressos de ônibus, mais conhecidos como BRTs — a um custo de R$ 4,2 bilhões, prevêem a remoção de, pelo menos, 5 mil famílias em 13 bairros. Segundo o próprio secretaria municipal de habitação, Jorge Bittar, do PT, de janeiro de 2009 a agosto de 2011, aproximadamente 13 mil famílias foram removidas de seus locais de origem no Rio de Janeiro.
— Massacrar uma comunidade por conta de uns jogos de 27 dias eu acho uma injustiça muito grande — protesta Altair Guimarães, presidente da associação de moradores da Vila Autódromo, uma das favelas ameçadas de remoção no Rio.
O panôrama geral das remoções em todo o Brasil no ano de 2011 não foi diferente do Rio de Janeiro.
Segundo dados da relatoria das nações unidas pelo direito à moradia adequada, em Belo Horizonte, Minas Gerais, 4,5 mil famílias estão sendo removidas. As principais favelas afetadas são: Dandara (900 famílias), Camilo Torres (140 famílias), Irmã Dorothy (130 famílias), Torres Gêmeas (180 famílias), e o entorno do Anel Rodoviário (3 mil famílias).
Em Fortaleza, Ceará, mais de 3,5 mil famílias estão sendo removidas em função das obras de ampliação da Via Expressa e da construção do Ramal Parangaba/Mucuripe do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
Em Curitiba, Paraná, 250 famílias estão sendo removidas para a ampliação do Aeroporto Internacional Afonso Pena. As favelas afetadas são Jardim Suissa, Vila Quisissana, Nova Costeira, Costeirinha, Vila Fontes, Rio Pequeno e Bairro Jurema.
No município de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, 345 famílias estão ameaçadas de remoção para a construção do novo aeroporto internacional. A maioria das famílias vivem na comunidade Padre João Maria.
Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 4,5 mil famílias estão ameaçadas de remoção em decorrência das obras de ampliação do Aeroporto Salgado Filho e de duplicação da Avenida Tronco. No total, organizações de defesa dos direitos do povo estimam que 10 mil famílias podem ser removidas nos município de Porto Alegre e Canoas até 2014.
Em São Paulo, estima-se que serão desalojadas mais de 50 mil famílias até os mega-eventos. Cerca de 24 favelas estão ameaçadas até agora. As remoções fazem parte do cronograma de obras da Operação Urbana Água Espraiada — que já removeu 10 mil famílias —, Operação Urbana Água Branca, revitalização da área da Luz, conhecida como Projeto Nova Luz, e a reurbanização do Parque Dom Pedro e da região do Pátio Pari.
Vila Autódromo resiste aos tratores da prefeitura
A favela Vila Autódromo é um tradicional polo de luta contra as remoções de bairros pobres no Rio de Janeiro. Isso porquê, desde 2005, a prefeitura do Rio, por diferentes motivos, planeja, sem sucesso, remover os moradores do local. Localizada na zona oeste do Rio, a favela tem esse nome porque é vizinha do autódromo de Jacarepaguá e, além disso, está posicionada em meio a um complexo de arenas que abrigaram os jogos panamericanos em 2007. Em 2011, mais uma vez, o gerente estadual Eduardo Paes, mostrou suas garras à Vila Autódromo e disse que, dessa vez, os moradores vão ser removidos do local, custe o que custar. A remoção teria o objetivo de abrir espaço para a construção de um parque olímpico para as olimpíadas de 2016, mas os moradores, muito bem organizados, dizem que vão resistir.
O projeto do parque olímpico será feito através de uma parceiria público-privado e, em seu edital, prevê que 75% dos 1,2 milhão de metros quadrados sejam entregues a iniciativa privada logo após os Jogos Olímpicos, para a construção de condomínios residenciais, comerciais e hotéis.
Aos moradores, em troca de suas moradias, a prefeitura oferece apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida a quilômetros de distância da Vila Autódromo, ou o famigerado aluguel social. Ambas as propostas já foram recusadas pelos moradores que prometem resistir até que a última casa seja demolida.
— Nós adoramos viver aqui. A gente sai pra ir ali na tendinha, deixa a casa aberta e, quando a gente volta, está tudo do mesmo jeito. Esses lugares pra onde eles querem levar a gente, muito mau, a gente vai poder ficar no portão. Aqui é bom demais pra morar. Eu moro aqui desde 1987 e tenho o título de posse que o Brizola nos deu. Todo ano vem o IPTU pra pagar. Meus netos cresceram aqui, brinacando na rua, entram e saem da favela e nunca aconteceu nada. Aqui não tem tráfico, milícia, nada disso. É uma paz só. Nós aqui somos uma família. Um ajuda o outro. Nós moradores somos muito unidos, mas infelizmente a prefeitura está fazendo isso conosco — lamenta a moradora Osmarina Fernandes.
Logo após o anúncio da remoção, o monopólio dos meios de comunicação iniciou seus trabalhos visando criminalizar os moradores da Vila Autódromo e dar razão à prefeitura em sua antiga empreitada para retirar a favela do local. No dia 4 de outubro, o jornal O Globo publicou uma matéria acusando moradores de roubar as pessoas que esperavam na fila para adentrar a cidade do rock — vizinha à Vila Autódromo —, durante a realização do evento Rock in Rio. Dois dias depois, após o final do evento, o mesmo jornal divulgou uma reportagem de página inteira mostrando maquetes do parque olímpico e insinuando que a resistência dos moradores da Vila Autódromo era um obstáculo à realização das olimpíadas no Brasil.
Bombeiros do Rio fazem ato em repúdio à nova onda de prisões de lideranças do movimento
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Desde a última segunda-feira, dia 10 de outubro, quatro bombeiros do Rio de Janeiro estão presos por determinação do comando geral da corporação. Eles foram acusados de participar de um ato, no Clube dos Portuários, no último dia 30, quando fizeram discursos para parlamentares. Os bombeiros do estado do Rio estão em campanha salárial desde o início de abril. No mais combativo episódio durante a greve da categoria, cerca de dois mil bombeiros ocuparam o quartel central da corporação e foram atacados pelo Batalhão de Operações Especiais. 439 bombeiros foram presos. Hoje, a maioria deles já foi solta e anistiada, mas as lideranças do movimento voltaram para a prisão repetidas vezes. Uma dessas líderanças é o cabo Benevenuto Daciolo, que encotra-se preso no quartél G-Mar de Botafogo. Na última quinta-feira, dia 13 de outubro, bombeiros fizeram um protesto no local em repúdio à prisão das quatro lideranças. Daciolo chegou a acenar de uma janela para os manifestantes.
Entre os manifestantes também havia bombeiros de outras cidades. Em Cabo Frio, segundo um representante local, bombeiros estão aquartelados em repúdio às prisões das lideranças do movimento.
Protesto marca a segunda semana da greve operária nas obras de reforma do Maracanã
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Na última terça-feira, dia 13 de setembro, operários da obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, fizeram uma passeata no entorno do estádio para marcar os 11 dias de greve por melhores salários e condições de trabalho. Até agora, o consórcio que administra a obra não procurou o sindicato que representa a categoria para negociar. Amanhã, a paralisação será julgada pela justiça do trabalho, que pode decretar a greve ilegal e multar o sindicato por dia em que a obra estiver parada. Os trabalhadores cruzaram os braços depois que o consórcio, além de não cumprir os acordos fixados na última greve, serviu comida estragada aos operários no turno da noite. Entre os sindicalistas presentes na manifestação, estava um representante do Marreta, o sindicato da construção de Belo Horizonte, dirigido pela Liga Operária.
Na manhã de hoje, operários da obra de reforma do estádio Mineirão, em Belo Horizonte, também cruzaram os braços. O motivo da paralisação foi o mesmo dos operários do Maracanã. Patrões do consórcio Minas Arena não teriam cumprido os acordos fixados na paralisção de junho, quando operários cruzaram os braços por 4 dias. Segundo os sindicatos que representam a categoria, tanto no Rio, quanto em Minas Gerais, até que os patrões tratem os trabalhadores com dignadade as greves vão seguir com força total.
Greve dos operários da obra de reforma do Maracanã continua com força total
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
A greve dos operários da obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, continua com força total. Como A Nova Democracia divulgou na semana passada, a paralisação começou depois que o consórcio que administra a obra, além de não cumprir os acordos fixados na última greve, serviu comida estragada aos trabalhadores no turno da noite. A revolta tomou conta dos operários que decidiram cruzar os braços até que todas as suas reivindicações sejam cumpridas. Nossa reportagem marcou presença em todas as assembléias realizadas até agora e está acompanhando de perto a luta da categoria. Na manhã de hoje, dia 6 de setembro, os operários decidiram continuar em greve depois que o consórcio se negou a negociar com a comissão que representa os trabalhadores. Eles exigem auxílio-alimentação no valor de 300 reais, plano de saúde familiar e condições dignas de trabalho e alimentação nos canteiros de obra.
Greve: operários da obra de reforma do Maracanã cruzam os braços novamente
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Na madrugada de hoje, dia 1º de setembro, operários que trabalham na obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, voltaram a cruzar os braços. Depois de uma semana de greve no início de agosto, os operários paralisaram novamente suas atividades acusando o consórcio que administra a obra de não cumprir os acordos fixados na última paralisação. Além disso, os trabalhadores relataram a nossa reportagem que as empresas do consórcio servem comida estragada aos operários e não fazem a limpeza dos vestiários.
A reforma do Maracanã faz parte das obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Revoltados, os grevistas garantiram que dessa vez, a paralisação só será interrompida quando os patrões cumprirem todas as reivindicações da categoria, incluindo as exigências da última greve.
Greve operária paralisa as obras de reforma do Maracanã para a Copa de 2014
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Na última quarta-feira, os dois mil operários que trabalham na obra de reforma do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, cruzaram os braços. A greve começou depois que um trabalhador se acidentou após a explosão de um barril que armazenava produtos químicos. Depois do acidente, inúmeras denúncias de baixos salários e condições de trabalho precárias vieram a tona . A reforma do estádio está orçada em mais de 1 bilhão de reais e faz parte do conjunto de obras para a Copa do Mundo de 2014. Em negociação na noite de ontem, os patrões do consórcio que dirige a obra ofereceram um aumento de míseros 10 reais aos trabalhadores. A proposta foi rejeitada pela categoria em assembléia realizada na manhã de hoje, na qual cerca de mil operário decidiram continuar com a greve. Eles ainda exigem plano de saúde e adicionais de periculosidade.
Na assembléia de hoje, operários relataram a nossa reportagem as péssimas condições de trabalho impostas pelas construturas do consórcio que administra a obra do Maracanã. Alguns trabalhadores disseram que fazem seus serviços correndo constante risco de vida por falta de equipamentos. Outros questionaram a propostas ultrajante das construtoras, que estão recebendo mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos para realizar a reforma do estádio
Greve dos profissionais da educação do Rio segue com força total
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
A greve dos profissionais de educação do Rio de Janeiro completou dois meses e, mesmo assim, o gerenciamento estadual segue indiferente às justas reivindicações dos trabalhadores. Na tarde de ontem, uma assembléia da categoria lotou a casa de shows Fundição Progresso, na Lapa, zona norte do Rio. Os profissionais da educação decidiram continuar com a greve e, em seguida, saíram em passeata pelas ruas do Centro da cidade. A avenida Rio Branco foi bloqueada para a encenação de uma peça de teatro. Na esquete, o governador Sérgio Cabral, representado pela morte, atacava os trabalhadores, que em seguida, se levantavam contra o político. Nossa equipe de reportagem esteve no local e conversou com os profissionais em greve.
A manifetação seguiu em direção às escadarias da Assembléia Legislativa, onde bombeiros se preparavam para mais um ato. Há meses, eles também travam uma dura batalha por melhores salários contra o gerenciamento estadual. Muitos bombeiros acompanharam o protesto dos profissionais da educação e declararam total apóio à luta da categoria, que exige a incorporção imediata das gratificações do Programa Nova Escola e um reajuste real de 26%. Enquanto o governador Sérgio Cabral e o secretário de educação Wilson Risolia continuarem indiferentes às suas reivindicações, professores e funcionários da rede estadual de ensino prometem que não darão nem uma passo atrás na greve que já dura dois meses.
Professores em greve no Rio de Janeiro seguem acampados na porta da Secretaria de Educação
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Depois de serem atacados pela PM ao tentar invadir o prédio da Secretaria de Educação, profissionais e funcionários das escolas estaduais do Rio de Janeiro — em greve há dois meses — acamparam na porta do prédio da Seeduc, no Centro da cidade. Depois do corte nos salários dos trabalhadores, anunciado no final de julho pelo gerenciamento estadual, a categoria se revoltou ainda mais. De acordo com representantes do Sepe-RJ, sindicato que representa os profissionais da educação do Rio, a greve irá continuar até que o gerente Sérgio Cabral trate a categoria com respeito e atenda às suas reivindicações.
Na tarde do dia 26 de julho, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a liminar que impedia o gerenciamento estadual de descontar os dias não trabalhados dos profissionais da educação em greve. A categoria cruzou os braços no dia 7 de junho e promete não recuar enquanto Sérgio Cabral e o secretário de Educação, Wilson Risólia, não atenderem às suas reivindicações. Apesar do Rio de Janeiro ser o segundo estado mais rico da federação, o salário base da categoria é de míseros 765 reais para professores e 435 reais para funcionários. A categoria exige reajuste salarial de 26% e a incorporação imediata das gratificações do Programa Nova Escola.
Nossa equipe conversou com o diretor de imprensa do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, o Sepe-RJ., Alex Trentino, para saber qual será o posicionamento da categoria diante do anúncio do corte nos salários dos profissionais que permanecerem de braços cruzados.
— Essa medida do Sérgio Cabral de cortar o nosso ponto é uma medida arbitrária. A primeira decisão do Tribunal de Justiça, inclusive, previa que a nossa greve permitiria a reposição das aulas, já que um grande período da paralisação está acontecendo durante as férias escolares. Agora, o governo do estado, ao caçar a liminar, está sacrificando o ano letivo, já que nós profissionais da educação ao ter os nossos salários cortados, a gente não vai repor essas aulas. A gente espera que o governador apresente um índice para que nós possamos voltar ao trabalho — disse o sindicalista, que também comentou a atitude arbitrária do gerenciamento estadual, que parcelou até 2015 as gratificações do Programa Nova Escola. Segundo ele, os trabalhadores exigem a incorporação imediata de todas as parcelas.
— Já existe uma lei que diz que você não pode ter uma gratificação no seu salário por mais de 5 anos. Mesmo assim, a gratificação do Projeto Nova Escola está sendo paga aos profissionais da educação parcelada até 2015. O que a gente quer é a incorporação total dela no nosso piso. O que nem ao menos significa um aumento. Aumento é um índice de reajuste que o estado dá. Gratificação é uma coisa que sai do contracheque e é incorporada ao piso. A gente acha que esse parcelamento até 2015 é autoritário, pois nós sabemos que o governo tem dinheiro. Têm estudos do sindicato que indicam isso. Veja só essas denúncias de isenção fiscal para motéis, boates e termas. Recentemente, houve outra denúncia de que o dinheiro gasto com a terceirização da manutenção de viaturas da PM daria para comprar novos carros. E ele vem nos dizer que não tem dinheiro para dar um salário digno para os profissionais da educação — protesta o diretor do Sepe-RJ.
— O meu sentimento é de indignação, porque quando um profissional de educação escolhe essa carreira ele escolhe porque gosta. Muitos profissionais se desiludem e acabam abandonado a carreira para fazer concurso ou trabalhar com outra coisa — relata.
Há quase três semanas, os trabalhadores estão acampados na entrada da Secretaria de Educação para pressionar o gerenciamento estadual a atender às suas exigências. O acampamento começou depois de uma tentativa de ocupação do prédio da Seeduc reprimida com violência pela PM. A ação revelou novamente o caráter reacionário do gerenciamento de Sérgio Cabral, que tem como marca registrada, desde o início de seu mandato, a repressão ferrenha aos trabalhadores em luta no Rio de Janeiro.
— Essa política de repressão às greves tem sido padrão nesse governo, não só conosco e com os bombeiros, mas com outros trabalhadores também. Como o Sindicato da Justiça, que no ano passado fez uma greve e o governo cortou licenças sindicais, teve corte de salários, removeu trabalhadores dos seus locais de trabalho e por aí vai. Agora vai ter Copa do Mundo e Olimpíadas e esse governo autoritário está removendo milhares de famílias pobres das regiões onde vão acontecer os jogos. Uma política de habitação exclusivamente para os gringos. Então, a gente vê uma prática desse Estado que é autoritária, não só contra os trabalhadores, mas contra os movimentos sociais como um todo — disse Alex.
Nossa equipe também esteve no acampamento, na Rua da Ajuda, Centro do Rio, para conversar com os profissionais que estavam no local. Entre eles estava o professor de filosofia do Colégio Estadual Carmela Dutra, Diego Felipe, de 28 anos.
— A gente tem uma greve, que é o maior instrumento de luta dos trabalhadores, e o acampamento é a expressão radicalizada da greve. A gente acampar aqui incomoda mais os governantes do que greve de pijama, onde as pessoas simplesmente não vão trabalhar. Todos estão dizendo aqui que o acampamento é uma prova de que essa greve não é como as anteriores, onde as coisas pareciam não se mover, prova de que essa greve não é burocrática — avalia o professor.
— O meu sentimento é de bastante revolta. Eu já sou revoltado com a situação da educação, desde que eu era estudante da rede estadual e sempre percebi que as coisas não andavam bem. Porque é muito complicado você saber que uma profissão tão importante quanto docente vive em uma situação tão precária, ganhando mal, em péssimas condições de trabalho. Não tem como não se revoltar. As pessoas não ficam sabendo por bloqueios do monopólio da imprensa. Enquanto o secretário de educação pensar que a educação é mercadoria, como ele mesmo disse, tudo vai andar às piores mesmo. Educação é sim a nossa maior possibilidade de transformar a realidade, de transformar as consciências das pessoas — diz.
Pescadores peruanos enfrentam a polícia em protesto por melhores salários
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Em Chimbote, capital da Província de Santa, situada no Departamento de Ancash, centenas de trabalhadores da empresa Pesquera Hayduk SA foram às ruas no dia 10 de agosto para exigir melhores salários. Segundo o secretário geral do Sindicato dos Pescadores, Tito Mendoza, os acordos trabalhistas conquistados pela categoria, garantem aos trabalhadores o pagamento de 1,6 dólares por tonelada de peixes, o que segundo eles, já é um valor muito baixo. Mas não para a Hayduk AS, que descumpre os acordos e paga aos pescadores entre 0,60 e 0,75 dólares por tonelada.Trabalhadores sul-africanos enfrentam a polícia em Johannesburo
A Copa do Mundo da África do Sul acabou, mas os problemas do povo sul-africano estão longe de chegar ao fim. Depois de gastar 43 bilhões de rands (ou 5 bilhões de dólares) com o evento, o gerenciamento Jacob Zuma agora nega-se a desembolsar meros 700 milhões de dólares para reajustar os salários de mais de um milhão de trabalhadores, em um país onde 40% da população vive com menos de 2 dólares por dia.Agressão a trabalhador causa revolta operária na sexta maior siderúrgica do mundo
Na Índia, operários da siderúrgica portuguesa Tata Steel entraram em confronto com a polícia durante um combativo protesto em repúdio à agressão de um trabalhador por guardas da empresa. A Tata Steel, anteriormente conhecida como Tisco, é a sexta maior indústria siderúrgica do mundo com uma produção que consome 31 milhões de toneladas de aço por ano. A revolta na principal fábrica da empresa, em Jamshedpur, no estado de Jharkhand, começou depois que um dos operários foi espancado por agentes de segurança da empresa por não cumprir uma ordem de trabalho dada pelo gerente de produção.Quinta greve em um ano na Grécia termina com 7 policiais feridos
Na tarde de ontem, cerca de 20 mil trabalhadores gregos se reuniram em frente o parlamento, em Atenas para mais uma protesto contra os planos de austeridade que o imperialismo está impondo ao povo em vários países da Europa. O protesto aconteceu durante a quinta greve geral no país somente este ano. Os trabalhadores fecharam os acessos ao porto de Atenas, por onde passam todos os dias viajantes milionários a caminho das famosas ilhas gregas. Com isso, vários transatlânticos que partiriam hoje continuaram atracados. O parlamento teve que ser cercado pela polícia quando a massa começou a se aproximar gritando “Queimem!”. Um grupo de policiais foi cercado por centenas de manifestantes e sete soldados da repressão ficaram feridos.Burguesia se nega a aumentar salários e operários se rebelam no Bangladesh
Mais de 700 fábricas de roupas, que fornecem praticamente todas as peças de vestuários usadas no Ocidente, fecharam as portas por conta de uma gigantesca greve operária no Bangladesh. A greve, que já dura um mês, reúne cerca de 800 mil trabalhadores, sendo a zona industrial de Ashulia o maior foco das manifestações. A burguesia foi obrigada a fechar os portões das indústrias e reforçar o policiamento, quando mais de 100 mil operários ameaçaram invadir os galpões e destruir as máquinas e ferramentas.
As fábricas de roupas do Bangladesh abastecem o comércio mundial de marcas-símbolos do imperialismo, como o Wal-Mart, a H&M, a Tesco, o Carrefour e o Metro, bem como as etiquetas de moda Tommy Hilfiger, GAP e Levi Strauss. O faturamento médio anual de cada uma dessas marcas chega a 35 bilhões de dólares, enquanto que o salário médio dos operários não ultrapassa 100 dólares por mês. Isso quer dizer que os salário de todos os operários, por um ano, custam aos cofres de cada empresa 0,5% do faturamento anual. E pensar que os protestos em Ashulia, ao norte de Dhaka, fazem parte de uma cansativa jornada de greves operárias por melhores condições de trabalho e aumentos de salários, reivindicações que a burguesia, irredutivelmente, se nega a atender.
Nos protestos de ontem (21), mesmo com o reforço policial nas fábricas, mais de 50 delas foram invadidas e destruídas pela justa rebelião operária. A tropa de choque da polícia tentou impedir as invasões, mas foi atacada pelas massas com pedras e coquetéis molotov. E mesmo faturando bilhões de dólares por ano, representantes da Associação de Fabricantes e Exportadores do Bangladesh (BGMEA) ainda se queixaram dos prejuízos causados pelos manifestantes. Prejuízos ou redução dos lucros?— Os protestos vão continuar. Vamos fechar todas as fábricas de vestuário, vamos organizar greves por todo o país, em todos os centros industriais do país. Vamos continuar até que as autoridades aumentem os salários dos trabalhadores — disse o líder sindical Mosherefa Mishu.
A greve operária no Bangladesh está prestes a se transformar em uma greve geral, já que a produção das indústrias de vestuários no país representam 80% das exportações e empregam 40% da força de trabalho industrial.
Greves e manifestações tomam as ruas da África do Sul em repúdio à Copa imperialista
A polícia sul-africana teve que assumir a segurança em quatro dos dez estádios da Copa do Mundo depois que os trabalhadores contratados para a função cruzaram os braços. Eles receberiam cerca de 100 reais por dia de trabalho, mas apenas 40 reais foram pagos após o primeiro dia. O impasse começou no dia 13 ainda no estádio Moses Mabhida Stadium, em Durban, após o jogo entre a Alemanha e a Austrália. Quando os trabalhadores receberam menos da metade do combinado, no estacionamento do estádio, centenas deles se reuniram para protestar e a polícia foi chamada pelos organizadores do evento para reprimir a massa inconformada. Bombas de gás e tiros de bala de borracha foram disparados a esmo pela repressão em direção aos trabalhadores, que responderam com pedras e garrafas.Já no dia 15, os trabalhadores contratados para fazer a segurança dos jogos na Cidade do Cabo cruzaram os braços em solidariedade ao movimento em Durban e rapidamente milhares de trabalhadores fizeram o mesmo em outras cinco localidades, como no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, onde o Brasil jogou com a Coréia do Norte no dia 15. Com isso a polícia sul-africana assumiu a segurança dos estádios.
— Não nos dão comida e nem nos deixam trazer de casa. O salário que haviam prometido não é o que estamos ganhando. Fomos enganados! — protestou Thabi, segurança do Ellis Park.
No dia 16, quando os sul-africanos celebravam o 35° aniversário do Levante de Soweto, os organizadores da Copa anunciaram a demissão dos trabalhadores em greve, o que causou ainda mais revolta. No mesmo dia, mais de 10 mil pessoas marcharam em Durban contra os gastos bilionários do gerenciamento de Jacob Zuma, borra-botas do imperialismo.
— Se o governo tem dinheiro para a Copa do Mundo é inaceitável que a maioria do povo sul-africano não tenha onde morar ou viva em barracos de madeira. O governo deu todo o dinheiro do povo para a Fifa e agora não tem nem 50 dólares para nos pagar — disse Murphy Allan, um dos organizadores do protesto, que também contou com a participação de pescadores e outros trabalhadores locais que foram prejudicados pela Copa.
No dia seguinte, a federação de sindicatos Cosatu que reúne mais de 2 milhões de trabalhadores, também ameaçou mobilizar uma greve geral contra o que a organização chamou de “um desrespeito com o povo sul-africano, que trabalhou duro para que a Copa acontecesse e agora está sendo atacado pelos organizadores e pelo governo, apenas por exigir seus salários”.
Enquanto a greve geral não acontece, os mineiros — maior categoria do país — já cruzaram os braços exigindo melhores salários e condições de trabalho. Na empresa de mineração de diamantes De Beers, na qual a Anglo American tem participação, mais de 3 mil trabalhadores já estão em greve por tempo indeterminado.
Motoristas do Serviço de Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) também cruzaram os braços na semana passada. Responsáveis pelo transporte de mais de 2 milhões de pessoas por dia durante a Copa, os rodoviários dizem estar trabalhando em dobro durante o evento e, mesmo assim, não estão recebendo hora-extra. Além disso, eles afirmam que não foram avisados com antecedência da dupla jornada de trabalho pela Clidet, empresa que administra os serviços de transporte privado na Copa do Mundo. Na sexta-feira, a diretora da empresa, Jackie Huntley, disse que a greve é ilegal, “pois é inaceitável interromper o transporte no dia de uma partida da Copa”. Inaceitável é haver Copa em um país onde metade do povo vive em condições miseráveis de sobrevivência.
Além dessas marcas, várias outras também participaram desse investimento, como as de cervejas, refrigerantes e eletrônicos.Foram gastos cerca de 2 bilhões de dólares com segurança. A polícia recebeu equipamentos novos para todo tipo de ação. São carros, helicópteros, armas e o treinamento de seus homens. Além disso, há intercâmbio com organismos internacionais e vários agentes da Interpol trabalhando no país. Na Copa, 44 mil policiais estão encarregados da repressão ao povo.
Em 2004, os jogos olímpicos de Atenas causaram um rombo de 14 bilhões de dólares na economia do país e as instalações esportivas que foram construídas estão abandonadas. Um exemplo é o complexo de estádios de hóquei de campo, softbol e beisebol construído em Atenas, que custou 213 milhões de dólares e hoje está trancado e escondido por trás de uma cerca de arame farpado. Imaginem o que acontecerá com a economia sul-africana e, automaticamente, com a já miserável condição de vida do povo.Os protestos que estão tomando conta da África do Sul, não passam de uma justa reação do povo à farra do imperialismo na Copa do Mundo, pela qual os trabalhadores estão pagando com seu sangue e seu suor.
Na Irlanda, trabalhadores vão às ruas e se negam a pagar a conta da crise imperialista
Não é só na Grécia as medidas de austeridade dos gerenciamentos de turno têm revoltado o povo. Na Irlanda, os planos fiscais incluem o corte de benefícios do setor público, pensões, congelamento de salários dos setores público e privado e ataque às leis trabalhistas e, assim como em Atenas, as massas se levantaram em combativos protestos em repúdio a mais esse ataque aos direitos do povo orquestrado pelo imperialismo.No dia 19 de maio, um protesto às portas do parlamento irlandês, conhecido como Dali, transformou as ruas de Dublin em um campo de guerra entre o povo enfurecido e a repressão policial. Carros foram queimados e utilizados como barricada pelos manifestantes, que responderam às bombas da repressão com paus, pedras e coquetéis molotov.
No dia seguinte, as manchetes de vários jornais locais, criminalizavam o movimento, esbravejando que “protestos violentos não são uma característica do povo irlandês, que levanta sua bandeira nas ruas e depois vai para casa beber sua cerveja sem fazer baderna” [Jornal IrishCentral de 20 de maio]. Mas a decadência do imperialismo e a contínua degradação da condição de vida das massas têm feito isso mudar. Verdade seja dita, a economia da Irlanda vai de mal a pior e já atingiu um déficit orçamentário de 14,3% da renda nacional — quase cinco vezes o limite da união Européia — índice pior que o da Grécia.
Operários do Bangladesh exigem readmissão de colegas demitidos
Nota de Patrick Granja, publicada no BLOG do jornal A Nova Democracia
Mais de 10 mil operários foram às ruas na cidade de Chittagong, no Bangladesh — centro industrial de Kanchpur próximo à baía de Bengala — para exigir a readmissão de oito trabalhadores demitidos da fábrica de roupas SA Fashion & Apparels Limited, sob a acusação de desrespeito às regras disciplinares da empresa. Rapidamente, milhares de operários se levantaram em combativos protestos, durante dias seguidos, exigindo que os gerentes da fábrica readmitam os trabalhadores.
Na tarde da última quarta-feira, os manifestantes bloquearam a rodovia Chittagong Dhakaa — via arterial da cidade — e a tropa de choque da polícia foi enviada pelos gerenciamentos de turno locais para dispersar os operários, que já estavam mobilizados há três dias. Depois de então, o que se viu foram cenas da brava resistência dos trabalhadores à repressão da polícia. Ao fim da manifestação, 50 pessoas ficaram feridas, sendo 12 policiais, grande parte da estrutura da fábrica de roupas SA Fashion & Apparels Limited foi destruída, além de vários carros e um ônibus, incendiados pelos operários e usados como barricada para impedir a passagem da polícia.
Professores paquistaneses cruzam os braços e enfrentam a repressão
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Ontem (27), milhares de professores paquistaneses se reuniram em Carachi — a cidade mais populosa do Paquistão, capital da província de Sindi, ao sul do país — para protestar contra os péssimos salários e condições de trabalho. A idéia inicial da manifestação era marchar em direção a sede do governo, mas no meio do caminho, os trabalhadores foram interceptados pela tropa de choque da polícia fascista paquistanesa, que os atacou com spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo, e jatos de água. Mesmo com vários professores feridos, houve resistência dos grevistas. O sindicato que os representa anunciou que, se até o dia 3 de junho, as reivindicações da categoria na forem atendidas, uma nova manifestação vai ser realizada com o mesmo objetivo de marchar até a sede do governo.O movimento dos professores, que começa a se alastrar pelo interior do país, exige mais subsídios para o precário sistema de ensino do Paquistão, além das reposições salariais garantidas por um projeto de lei aprovado no dia 7 de abril deste ano. O projeto tramitou por três anos na assembléia legislativa do país antes de ser aprovado.
— Estamos exigindo incentivos que já foram aplicados em outras partes do país. O nosso reajuste salarial já foi aprovado há meses, mas os porta-vozes do governo fingem que nada aconteceu e, simplesmente, não dizem uma palavra mais sobre as condições de trabalho dos professores. Por isso nossa linha agora é partir para cima — disse o presidente do sindicato que representa a categoria, Muhammad Rafiq Jarwar.
Trabalhadores em greve e estudantes ocupam as entradas da reitoria da USP
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Na manhã desta terça-feira, mais de 200 pessoas — entre funcionários da Universidade de São Paulo, em greve desde o dia 4 de maio, e estudantes que apóiam o movimento dos trabalhadores — reuniram-se em frente ao prédio da reitoria e bloquearam seus acessos, até que seja retomada a negociação com o movimento, que reúne funcionários da USP, Unicamp e Unesp. Segundo informações dos trabalhadores e estudantes, a polícia já foi chamada pela direção da USP para reprimir o movimento.
— A polícia passou por aqui mais cedo, mas não fez nada, houve um boato de que eles (tropa de choque da PM) iriam vir, mas até agora não vieram — disse o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, inteirando que mais mil pessoas são esperadas na entrada do prédio da reitoria ainda esta tarde, quando será realizada uma assembléia de funcionários.
No dia 11 de maio, como informou este blog, estudantes e funcionários bloquearam a Rua Itapeva, no centro da capital, para realizar um protesto e pressionar a direção das universidades a atender a exigência de 16% de reajuste salarial para todos, além de 6% para os servidores técnicos. Mesmo com toda a pressão, a reivindicação não foi atendida e a greve já completa três semanas.
Os trabalhadores exigem o estabelecimento de isonomia salarial entre funcionários e professores, desde que os docentes receberam 6% de aumento em fevereiro, após uma longa maratona de greves e agitações, que motivou os funcionários a seguir o mesmo caminho de luta.
Além disso, o movimento reivindica um aumento salarial de 16% — como reposição de inflação e das perdas históricas — mais uma parcela fixa de 200 reais, para diminuir o abismo entre o maior e o menor salário dentre os trabalhadores na universidade.
Ainda de acordo com Magno Carvalho, amanhã, 12 ônibus sairão da USP em direção à Unicamp — que abriga o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) — onde será realizado o Ato Unificado dos funcionários das três universidades.
O povo da África do Sul diz não à Copa do Mundo e continua de braços cruzados
Por Patrick Granja / A Nova Democracia
Apenas duas semanas antes da Copa do mundo, trabalhadores sul-africanos nos setores de transportes e estivação continuam em greve. A paralisação, que já entra em sua segunda semana, interrompeu as exportações de metais, carros, frutas e vinho para a Europa e a Ásia, assim como as importações de peças de veículos e combustível, dando um inestimável prejuízo aos empresários do país. Fabricantes de veículos já ameaçam interromper a produção por falta de matéria prima. Além disso, muitos equipamentos necessários para a realização da Copa do mundo ainda não chegaram ao país por conta da greve nos portos. Prontamente, os gerenciamentos de turno, cortaram os salários dos trabalhadores em greve e decretaram-na ilegal. Mas os grevistas prometem não recuar enquanto os salários não forem reajustados.
— Nós não aceitamos que uma copa do mundo sirva de álibi para esses empresários entrarem em nosso país e saqueá-lo. Nosso povo já ganha mal e come mal e agora eles querem que nós trabalhemos mais ainda, mas nós não vamos aceitar. A greve continua — disse a presidente da União dos Trabalhadores em Transportes da África do Sul, Jane Barrett.
Os trabalhadores exigem um reajuste mínimo de 13% para todas as categorias como condição para encerrarem a greve, que começou no dia 10 de maio. Mas, segundo um pronunciamento do próprio gerente Zuma, caso não sejam rapidamente melhoradas as condições de trabalho e habitação do povo, os protestos podem ser radicalizados, comprometendo a realização da Copa do mundo.
Nas fábricas, pelegos denunciam trabalhadores para os patrões
*Baseado no panfleto Luta operária, que circulou em algumas fábricas do ABC
A difícil vida do operariado brasileiro torna-se, então, mais difícil. A organização da resistência a crescente exploração do trabalho assume formas dramáticas.A propaganda oficial das empresas e do governo mostra fábricas, como paraísos. E isso custa milhões. Mas muitas empresas estão deixando de fabricar as mercadorias e preferindo, apenas, revender produtos chineses. O lucro aumenta, porque na China seus trabalhadores, não tem direitos trabalhistas. Trabalham muito e ganham muito pouco, sem condições adequadas de trabalho. Então, a importação de produtos chineses e sua revenda torna-se um excelente negócio.
E se as empresas continuam produzindo, no Brasil, pioram salários e as condições de trabalho, para se tornarem mais competitivas ou, simplesmente, para seus proprietários, por não se importarem com os trabalhadores, aumentarem seus lucros. Um dos grandes negócios do momento está na venda de automóveis financiados a perder de vista. Muita gente está comprando carros novos e, sem se dar conta, vão caindo nas malhas dos bancos. Financiamentos que prenderão o financiado por anos e anos ao sistema financeiro. O que se pergunta é o que acontecerá quando essa fatia de mercado se esgotar? As fábricas fecharão suas portas? Demitirão milhares de trabalhadores? Como a indústria automobilística é um dos carros-chefe da economia, o efeito cascata será inevitável. Quantos mais ficarão desempregados e, desses, quantos não poderão mais pagar seus financiamentos, inclusive, de automóveis? Falidos e humilhados prisioneiros do sistema bancário e de seus juros escabrosos!
Hoje, nas fábricas, os salários não sobem, devidamente, apesar do aquecimento da economia. Exigem-se mais horas-extras dos trabalhadores, com base na estratégia do banco de horas. O operário, preso à produção mais e mais horas, acaba extenuado e doente e os acidentes de trabalho se multiplicam. E para o acidentado poderá começar um calvário sem fim. Para o patrão não haverá problemas, porque, com o desemprego em massa, sempre alguém pode aceitar qualquer condição insalubre de trabalho, desde que possa levar o pão para casa. Também, não há preocupação com a pontualidade nos pagamentos, seja de salário ou de 13O atraso pode se estender por meses.
O ambiente de trabalho que deveria ser agradável, mesmo se a tarefa fosse complicada ou pesada, se degenera a cada dia. Os banheiros imundos põem em risco a saúde daqueles que precisam utilizá-lo. A novidade é que agora os patrões restringem, inclusive, a ida a sanitários e mesmo as saídas para beber água. E a água é uma das bases fundamentais da vida humana. Quem não bebe água adoece, tem a produtividade rebaixada, se degrada. Os mais velhos se ressentem mais diante de tanta violência, praticada por aqueles, para quem a vida humana do outro é um detalhe irrelevante. Operário não é ser humano. Peão não é ser humano. Trabalhador não é ser humano. Humano é apenas o empresário, o burguês.
E aqueles que mais deveriam defender as classes trabalhadoras, os sindicalistas, acabam mudando de lado, ou porque desde antes já tinham o objetivo de, sem escrúpulos, usar os companheiros para seus objetivos pessoais, ou porque foram convencidos, no decorrer da luta, que a traição e seus prêmios valem mais. É o que tem acontecido com os líderes das centrais sindicais. Nas empresas, quando percebem o surgimento de focos de organização e resistência de trabalhadores, correm ao departamento pessoal da empresa, exigindo que sejam demitidos. Tem sido esse o papel da CUT, Força Sindical e CGT. A única saída é a organização na surdina e a explosão do movimento num momento que nem os patrões nem os capatazes nem os traidores estejam esperando. Estes últimos não traem por sete moedas, mas pelas montanhas de dinheiro que circulam, principalmente, nos grandes sindicatos, acrescidos ultimamente de mais 50 milhões, tomados do trabalhador, sem que se possa impedir, pois o desconto é feito a revelia.


